domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Crime do Padre Amado

Autor: Eça de Queirós
Editora: Círculo de Leitores
Colecção: Romances completos de Eça de Queirós
N.º de páginas: 488
ISBN: 9724206645
Categoria: Clássico












Opinião:
O Crime do Padre foi o primeiro romance de Eça de Queirós. Fala-nos acerca de um amor proibido entre um Padre, Amaro Vieira e a jovem mais bonita de Leiria, Amélia, que cresceu rodeada de beatas e padres. E, utilizando este pano de fundo, o autor faz uma crítica voraz à igreja Católica e ao estilo de vida da burguesia portuguesa.

Eça critica algumas práticas religiosas do Catolicismo como o Celibato, a confissão, a excomunhão, o batismo em bebé, a ligação da igreja à política, a excessiva devoção aos santos, a ostentação das igrejas. Fala sobre a influência que o padres exercem nos devotos manipulando o pensamento e comportamento das pessoas através das ameaças de castigos de Deus ou com a promessa de um lugar certo no céu. O padre é visto perante os católicos como omnipotente, capaz de perdoar os pecados dos seus confessores através da penitência. No entanto, o próprio clero está constantemente pecado sem vontade de redenção. Vivem na ostentação, possuindo as suas próprias riquezas ou utilizando as oferendas dadas à igreja. Mantém relações extra-conjugais, quando fazem votos de celibato. Aproveitam-se das informações dadas em confissões.

Este livro mostra-nos uma sociedade hipócrita, que se diz cristã mas que na realidade a religião é praticada por convenção e para ser socialmente aceite pois um indivíduo só é considerado respeitável se for à missa, jejuar e se confessar, mesmo que tenha outras virtudes socialmente bem vistas. Os burgueses vivem na futilidade, na besbilhotice e ocupando a sua mente com coisas desinteressantes.
  
As personagens são muito diversificadas de forma a representar ideias específicas e, contrariamente ao que é habitual nas minhas leituras, gostei mais das personagens secundárias do que propriamente das principais, nomeadamente o Dr. Godinho, o João Eduardo e o abade Ferrão, talvez por serem as personagens que são capazes de pensar por si mesmas. Ganhei um certo rancor pelo padre Amaro, pela forma como ele seduz a Amélia, pelo seu egoísmo quando surgem as consequências deste romance e pela forma como ele continua a pensar e a viver no final da história.

Apesar de ser uma história bastante conhecida não sabia como acabava. Um final para mim inesperado e confesso que fiquei um pouco desiludida. Mas, depois de terminar o livro e reflectir, penso que o desenlace não podia ser de outra forma pela crítica final que acarreta.

Gostei muito de ler este livro e o que me agradou mais ao longo da leitura foi a forma como Eça utiliza a ironia ao longo da história. Penso que a escrita não precisa de apresentações, com as características típicas realistas e naturalistas que podemos encontrar em "Os Maias", apesar de ter uma leitura bastante mais fluida, talvez pela quantidade de diálogos existentes.
  
Li este livro em dois formatos, em livro e em ebook. Gostei bastante de ler em formato electrónico e achei mesmo que, por vezes, foi muito mais prático por poder transportar para fora de casa com mais facilidade e porque a edição que li é de capa dura. Não me fez diferença deixar de folhear as páginas e vou voltar a repetir a experiência.
  


  
  

7 comentários:

  1. Resumindo, pouco mudou desde então na Igreja. Crentes é que hoje são menos, e, mesmo esses, menos fáceis de manipular... :)

    Beijocas!

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  2. Eça é um génio. É o meu escritor preferido de todos os tempos e reconheço-lhe uma contemporaneidade e actualidade ímpares.
    Este Crime do Padre Amaro, Os Maias e o Primo Bazílio são dos livros que mais gostei de ler. ;)

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  3. Sim Teté, é impressionante que um livro escrito à mais de 100 anos continue tão actual. e não só nesse sentido mas também a forma como as pessoas se comportam no dia-a-dia, sempre ocupadas com futilidades e com a vida dos outros.

    André Nuno, concordo, Eça realmente é um génio. Fiquei com vontade de ler mais livros dele pois para além do seu sentido crítico tem uma escrita maravilhosa. Estou a pensar reler "Os Maias" ou talvez vá pela tua sugestão e pegue no "Primo Basílio".

    Boas Leituras!

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  4. Gosta bastante dos livros do Eça, mas, apesar de ter este livro em casa ainda não o li. Depois de ler este comentário ganhei vontade de o ler rapidamente.

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  5. Olá Tiago M. Franco.
    Se gostas do Eça de certeza que também vais gostar deste. Acho que vale a pena pelo enredo construído e pela ironia apesar de não ser tão descritivo como outros livros que escreveu.

    Boas leituras!

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  6. Olá Landa,
    Que bom é voltar aos nossos clássicos.
    Tenho um prémio para ti no meu blog. Passa por lá.
    Bjs.

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  7. Landa
    recebi um "selo" que estou passando.
    O seu blogue foi um dos que escolhi. Se quiser retirá-lo do meu blogue, é com gosto que lho ofereço.
    Um abraço

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