Mostrar mensagens com a etiqueta José Saramago. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Saramago. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 13 de março de 2013

Jangada de Pedra


 
   A Jangada de Pedra é uma história mais direccionada para o fantástico. José Saramago recria um romance tendo como base uma catástrofe natural que leva à separação da Península Ibérica do resto da Europa. Entre toda a fronteira de Espanha e França abriu-se uma fenda transformando a península numa ilha, ou, melhor dizendo, numa "Jangada de Pedra" que leva os ibéricos numa jornada pelo Atlântico.
   Mas ao mesmo tempo que ocorre esta separação geológica outros acontecimentos insólitos acontecem: Joaquim Sassa, que vive no porto atira uma pedra pesadíssima ao mar que é projectada a uma distância e velocidade impossíveis para a força que possui; José Anaiço, um ribatejano que atrai um bando de estorninhos, sendo acompanhado por estes aonde quer que vá; Pedro Orce, um espanhol que sente a terra a tremer constantemente; Joana Carda, de Aveiro, que com uma vara de negrilho traçou no chão um risco que não se apaga e desencadeou o ladrar dos cães de Cerèbere que não se ouviam à decadas; e por fim Maria Guavaira, uma espanhola da Galiza que ao desmanchar uma meia velha, em vez de um punhado obteve uma montanha de lã.  Estes cinco personagens mais um cão cuja participação na história não é menos importante, encontram-se e decidem viajar à antiga fronteira dos Pirenéus, onde tudo teve origem. 
   Paralelamente a estas duas viagens, José Saramago mostra-nos uma perspectiva das consequências que poderiam ocorrer a nível económico, político e social no decorrer das alterações ocorridas, nomeadamente a separação da península com o resto da Europa, uma possivel colisão de Portugal e Galiza com os Açores e a aproximação com os Estados Unidos da America e Canadá.
   E o que posso dizer deste livro? Gostei mas não adorei. Este foi o segundo romance que li de Saramago e confesso que gostei bastante mais do primeiro, O Ano da morte de Ricardo Reis que se encontra entre os meus favoritos. Talvez tenha ido com grandes expectativas pois dois amigos meus já tinham falado muito bem dele. Antes de iniciar a leitura sabia apenas que se tratava de uma narrativa sobre separação da Peninsula Ibérica e que esta seguiria uma viagem através do oceano. Talvez estava à espera de uma abordagem diferente, com um pouco de mais acção acabando por achar a narrativa muito lenta e as personagens pouco aprofundadas. Mas como não podia deixar de ser, a escrita de Saramago é sempre de grande qualidade e aqui mostrou mais uma vez a sua genialidade pelo conceito do livro e pela forma como a narrativa é construída.
   Desconhecia completamente que esta história deu origem a uma adaptação cinematográfica e que têm no seu enredo dois actores portugueses, o Diogo Infante e a Ana Padrão. Ainda não o vi mas deixo-vos o trailer:


   Vou dar um tempo à leitura dos seus livros pois as suas histórias merecem ser lidas com alguma calma e disponibilidade. No entanto, o meu pai ofereceu-me Memorial do Convento e deve estar à espera de um feedback pelo que não vai ficar muito tempo na prateleira. Já leram? Qual a vossa opinião?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Meros Espectadores?


" ...talvez isto é que seja o destino, sabermos o que vai acontecer, sabermos que não há nada que o possa evitar e ficamos quietos, olhando, como puros observadores do espetáculo do mundo, ao tempo que imaginamos que este será também o nosso último olhar, porque com o mesmo mundo acabaremos,..."

                                                 José Saramago, O ano da Morte de Ricardo Reis
                                                                  (Imagem retirada da net)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O Ano da Morte De Ricardo Reis

Autor: José Saramago
Editora: Público
Colecção: Mil Folhas
N.º Páginas: 351
ISBN: 8481304964
Categoria: Romance













Sinopse:
O Protagonista da história é Ricardo Reis, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, que desembarca em Lisboa em 1936, vindo do Brasil, onde se havia refugiado por motivos políticos. Reis é médico, abre um consultório para tentar a sua reinserção na sociedade, frequenta duas senhoras, Um filho nascerá após a sua morte, que ocorrerá em 1936. Este Trágico ano é o verdadeiro protagonista do livro. É o ano em que ocorrem factos terríveis: as camisas verdes dos salazaristas aliam-se às camisas negras, castanhas, azuis dos fascistas, nazis e falangistas. Grassa a guerra da Etiópia. Uma revolta militar conduz Espanha à guerra civil. O personagem Ricardo Reis, espectador e testemunha destes graves acontecimentos, consegue, através da extraordinária capacidade de efabulação de Saramago, prender o leitor e transportá-lo ao clima sombrio daquela época.

Opinião:
Adiei muito a leitura dos livros de José Saramago. Comecei a ler "O Memorial do Convento" e "O Cerco de Lisboa" mas, como a escrita dele não me agradava, acabei por abandonar estas leituras. Insistiram tanto para eu ler "O Ano da Morte de Ricardo Reis" que decidi ultrapassar este meu preconceito relativamente à sua escrita e ler o livro. Ainda bem que o fiz pois é um livro excepcional. Não é à toa que Saramago ganhou o prémio nobel.

A história inicia-se com a chegada de Ricardo Reis a Lisboa, um dos heterónimos de Fernando Pessoa. Reis é médico e poeta que exerceu medicina no Brasil durante 16 anos. Instala-se então no Hotel Bragança, em Lisboa, onde conhece duas senhoras: A criada Lídia, companhia das suas noites, e Marcenda, uma dama distinta de Coimbra que mensalmente vem a Lisboa com seu pai, fazer tratamentos médicos na tentativa de recuperar a paralesia da sua mão esquerda. Também recebe algumas visitas regulares do seu amigo Fernando Pessoa, falecido um mês antes do seu regresso a Portugal.

Ao mesmo tempo que se desenrola o Romance, decorrem momentos políticos importantes que marcaram o ano de 1936, ou seja, o desenvolvimento do fascismo na Europa e a união dos regimes fascistas dos diferentes países, com vista a combater o comunismo. Em Espanha ocorre a subida do regime de Esquerda no governo que desencadeia a revolta militar pelo movimento fascista e, consequentemente, a guerra civil. Termina a guerra da Etiópia em que a Itália sai vencedora. Em Portugal, é criada a Mocidade Portuguesa para preparar alguns jovens na governação do país no futuro e é criada a Legião Portuguesa (camisas verdes) em defesa do Estado Novo contra os Comunistas e as pessoas que tomem posições divergentes do regime.

Um dos melhores livros que li até hoje. Saramago é realmente um génio da literatura. É fabuloso como ele recria uma história com uma personagem criada por uma outra pessoa e como pega na poesia de Ricardo Reis, enquadrando-a no momento em que decorre acção seja esta um envolvimento amoroso ou um acontecimento político.

Gostei imenso do roteiro feito ao longo do romance, onde o protagonista passeia por Lisboa. Pode-se destacar alguns locais como: a rua do Alecrim, onde ficou hospedado no Hotel Bragança; o Rossio e o Teatro D. Maria; o Alto de Santa Catarina onde se encontra a estátua de Adamastor;  a rua de Camões com a estátua de Luís de Camões.

Um livro que claramente superou as minhas expectativas!

Classificação: 6 - Favoritos

Maratona Literária Livropólio

Como forma aumentar e diversificar as minhas leituras e de pegar tenho tentado participar em diferentes...