quarta-feira, 18 de maio de 2011

Guardador de Rebanhos - Alberto Caeiro

II.

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...


Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...


Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ... 


     Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...


IX

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
                                                      Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
                                                     E comer um fruto é saber-lhe o
                                                                                                 [sentido.

                                                      Por isso quando num dia de calor
                                                      Me sinto triste de gozá-lo tanto.  
                                                      E me deito ao comprido na erva,
                                                      E fecho os olhos quentes,
                                                      Sinto todo o meu corpo deitado na
                                                                                                 [realidade, 
                                                      Sei a verdade e sou feliz.

domingo, 1 de maio de 2011

Aquisições na Feira do Livro



Já sabia que ao ir à feira do livro não vinha de mãos a abanar. Comprei três livros em segunda mão quase novinhos em folha: O Retrato da Sépia de Isabel Allende, A Filha da Floresta de Juliet Marillier e A Senhora de Avalon de Marion Zimmer Bradley.

Acabei por trazer também o Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald e aproveitei a promoção do livro do dia na Editora Objectiva, Até o silêncio tem um fim de Ingrid Betancourt.

Depois destas aquisições vou ver se me consigo controlar até à feira do livro de Cascais para ver se consigo diminuir um pouco a pilha de livros!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A Paixão de Jane Eyre

Autor: Charlotte Brontë
Editora: Inquérito
Colecção: Os melhores romances dos melhores romancistas
N.º Páginas: 385
Categoria: Clássico












Sinopse:
Jane Eyre é uma obra-prima da literatura inglesa, a autobiografia ficcionada de uma jovem que, depois de uma infância e adolescência desprovidas de afecto, se torna preceptora em Thornfield Hall e se apaixona pelo seu proprietário, Mr. Rochester. Plenamente correspondida nos seus sentimentos, Jane julga ter encontrado o amor por que ansiara toda a vida, mas Thornfield Hall esconde um segredo tenebroso que ameaça ensombrar a sua felicidade. Numa atmosfera misteriosa e inesquecível, acompanhamos esta heroína de espírito puro e apaixonado, que trava uma luta interior constante para se manter fiel às suas convicções e a si própria. Jane Eyre tem agora uma nova versão cinematográfica, com Mia Wasikowska, Michael Fassbender e Judi Dench nos principais papéis. (Fnac)

Opinião:
Comprei o livro à cerca de um ano por ter visto um filme sobre Jane Eyre e, apesar de não me lembrar da história, sei que na altura tinha gostado bastante. Por outro lado, como já tinha lido os Montes dos Vendavais, fiquei curiosa de conhecer outra obra das irmãs Brontë.

Este clássico fala-nos de uma menina, Jane Eyre, que ficou orfã de pai e mãe quando ainda era bebé e foi entregue à familia,  tendo vivido uma infância infeliz com a sua tia e primos, vitima de maus tratos físicos e emocionais. Aos 10 anos, foi enviada para um orfanato cristão onde viveu como estudante e professora. Aos 18 anos arranjou um trabalho como perceptora em Thornfield, para educar uma pupila do dono da casa, Mr. Rochester, por quem Jane se apaixona. No entanto, um segredo no casarão de Thornfield Hall impede a união deste casal.

Uma obra que nos trás uma história de amor à boa moda dos clássicos mas com um pouco de suspense à mistura. Charlotte Brontë tem uma escrita simples mas as suas descrições das paisagens, das personagens e dos sentimentos vivenciados são verdadeiramente marcantes. Um livro que se distingue também pela afirmação da independência feminina na figura de Jane Eyre, uma mulher auto-suficiente e de carácter bastante vincado para a sua época, por ter uma formação intelectual e moral acima da média, por viver do seu próprio sustento e por não se deixar rebaixar ou levar por ninguém com sexo, posição social ou visões diferentes das dela.

Uma leitura bastante agradável e foi com muita pena minha que cheguei ao fim do livro. Estou ansiosa por ver o filme que se encontra agora no cinema.

Classificação: 5 - Adorei


segunda-feira, 11 de abril de 2011

As próximas leituras

Como a Carlinha da Atmosfera de livros, tenho imensos livros em casa e, no entanto, a tendência é comprar mais e mais. Tal como ela, seleccionei uma lista de 10 livros para ler de seguida, até para ver se aumento um pouco o ritmo de leitura, embora o tempo seja cada vez mais restrito. Mas não há nada como desafiarmos a nós próprios.


                                                  (Foto retirada da net)

- O Anjo Branco, José Rodrigues dos Santos
- O Deus das pequenas coisas, Arundhati Roy
- As vinhas da ira, Jonh Steinbeck
- As Brumas de Avalon II - A rainha suprema, Marion Zimmer Bradley 
- O Crime do Padre Amaro, Eça de Queirós
- Grandes Esperanças, Charles Dickens
- Cisnes Selvagens, Jung Chang
- Nudez Mortal, J.D. Robb
- O Conde de Monte-Cristo, Alexandre Dumas
- O Talentoso Mr. Ripley, Patricia Highsmith

Assim, para poupar um pouco mais pensei em primeiro lugar dar vazão aos livros que já tenho e só após ler 3 deles é que adquiro um próximo livro. Vou abrir uma excepção para a feira do livro de Lisboa, claro, e começo já com balanço negativo. Mas a feira também só acontece uma vez por ano;)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Meros Espectadores?


" ...talvez isto é que seja o destino, sabermos o que vai acontecer, sabermos que não há nada que o possa evitar e ficamos quietos, olhando, como puros observadores do espetáculo do mundo, ao tempo que imaginamos que este será também o nosso último olhar, porque com o mesmo mundo acabaremos,..."

                                                 José Saramago, O ano da Morte de Ricardo Reis
                                                                  (Imagem retirada da net)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O Ano da Morte De Ricardo Reis

Autor: José Saramago
Editora: Público
Colecção: Mil Folhas
N.º Páginas: 351
ISBN: 8481304964
Categoria: Romance













Sinopse:
O Protagonista da história é Ricardo Reis, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, que desembarca em Lisboa em 1936, vindo do Brasil, onde se havia refugiado por motivos políticos. Reis é médico, abre um consultório para tentar a sua reinserção na sociedade, frequenta duas senhoras, Um filho nascerá após a sua morte, que ocorrerá em 1936. Este Trágico ano é o verdadeiro protagonista do livro. É o ano em que ocorrem factos terríveis: as camisas verdes dos salazaristas aliam-se às camisas negras, castanhas, azuis dos fascistas, nazis e falangistas. Grassa a guerra da Etiópia. Uma revolta militar conduz Espanha à guerra civil. O personagem Ricardo Reis, espectador e testemunha destes graves acontecimentos, consegue, através da extraordinária capacidade de efabulação de Saramago, prender o leitor e transportá-lo ao clima sombrio daquela época.

Opinião:
Adiei muito a leitura dos livros de José Saramago. Comecei a ler "O Memorial do Convento" e "O Cerco de Lisboa" mas, como a escrita dele não me agradava, acabei por abandonar estas leituras. Insistiram tanto para eu ler "O Ano da Morte de Ricardo Reis" que decidi ultrapassar este meu preconceito relativamente à sua escrita e ler o livro. Ainda bem que o fiz pois é um livro excepcional. Não é à toa que Saramago ganhou o prémio nobel.

A história inicia-se com a chegada de Ricardo Reis a Lisboa, um dos heterónimos de Fernando Pessoa. Reis é médico e poeta que exerceu medicina no Brasil durante 16 anos. Instala-se então no Hotel Bragança, em Lisboa, onde conhece duas senhoras: A criada Lídia, companhia das suas noites, e Marcenda, uma dama distinta de Coimbra que mensalmente vem a Lisboa com seu pai, fazer tratamentos médicos na tentativa de recuperar a paralesia da sua mão esquerda. Também recebe algumas visitas regulares do seu amigo Fernando Pessoa, falecido um mês antes do seu regresso a Portugal.

Ao mesmo tempo que se desenrola o Romance, decorrem momentos políticos importantes que marcaram o ano de 1936, ou seja, o desenvolvimento do fascismo na Europa e a união dos regimes fascistas dos diferentes países, com vista a combater o comunismo. Em Espanha ocorre a subida do regime de Esquerda no governo que desencadeia a revolta militar pelo movimento fascista e, consequentemente, a guerra civil. Termina a guerra da Etiópia em que a Itália sai vencedora. Em Portugal, é criada a Mocidade Portuguesa para preparar alguns jovens na governação do país no futuro e é criada a Legião Portuguesa (camisas verdes) em defesa do Estado Novo contra os Comunistas e as pessoas que tomem posições divergentes do regime.

Um dos melhores livros que li até hoje. Saramago é realmente um génio da literatura. É fabuloso como ele recria uma história com uma personagem criada por uma outra pessoa e como pega na poesia de Ricardo Reis, enquadrando-a no momento em que decorre acção seja esta um envolvimento amoroso ou um acontecimento político.

Gostei imenso do roteiro feito ao longo do romance, onde o protagonista passeia por Lisboa. Pode-se destacar alguns locais como: a rua do Alecrim, onde ficou hospedado no Hotel Bragança; o Rossio e o Teatro D. Maria; o Alto de Santa Catarina onde se encontra a estátua de Adamastor;  a rua de Camões com a estátua de Luís de Camões.

Um livro que claramente superou as minhas expectativas!

Classificação: 6 - Favoritos

quarta-feira, 23 de março de 2011

Mais Aquisições

O Modelo está com algumas promoções nos livros. Não consegui resistir. Tive que me conter para não trazer mais livros que queria ler, mas tenho primeiro que dar vagar aos que tenho cá em casa. Mais uma vez, adquiri dois livros que ouvi críticas muito boas: "O Amor em Tempos de Cólera", de Gabriel García Márquez e "O Segredo da Casa de Riverton" de Kate Morton.


O Rouxinol

  " Se houve alguma coisa que aprendi durante esta minha longa vida, é isto: no amor descobrimos quem queremos ser; na guerra ...