Autor: Arundhati Roy
Editora: Público
Colecção: Mil Folhas
Nº Páginas: 349
ISBN: 8406200736
Categoria: Romance
Sinopse:
O Deus das Pequenas Coisas, primeiro romance de Arundhati Roy, decorre durante os anos 60 na região de Kerala, no sul da Índia. A história começa com o funeral da menina inglesa Sophie Moll, prima dos protagonistas, os gémeos Rahel e Estha. Este acontecimento trágico serve de ponto de partida para uma narrativa onde Arundhati Roy nos apresenta uma apaixonante saga familiar, que decorre numa época conturbada na qual tudo pode modificar-se, num tempo e num país cujas essências parecem eternas. Um romance com uma escrita sensual, um estilo e um vislumbre do interior da natureza humana. A história política da Índia, com os seus tabus sociais que se fundem com o relato mágico acerca das grandezas e misérias da natureza humana. Um festim literário admiravelmente concebido e magistralmente narrado.
Opinião:
"O Deus das Pequenas Coisas" fala-nos de uma família Indiana ao longo de três gerações: os gémeos Estha e Rahel, a sua mãe Ammu, o tio Chacko, a avó Mammachi e a tia-avó Baby Kochamma. A narrativa desenrola-se principalmente em Kerala e em volta da trágica morte da prima dos gémeos, a Sophie Mol.
Paralelamente, a autora remete-nos para alguns problemas políticos, sociais e religiosos que ocorreram na região de Kerala na década de 60, época marcada pelas revoluções marxistas que contestavam alguns valores tradicionais bem como a exploração dos operários. É também visível a marginalização das pessoas pertencentes à casta mais baixa da India, os Párias, e nos condicionalismos a que a mulher indiana era sujeita. Mostra-nos ainda um pouco da expressão do Cristianismo na região de Kerala.
Gostei muito do livro e da escrita de Arundhati Roy. As descrições são ricas de metáforas e feitas com muita sensualidade. Fala-nos da Natureza de uma forma apaixonante, sendo impressionante a valorização que a autora dá às coisas mais simples.
Mas quem é esse “Deus das Pequenas Coisas”? “O deus das pequenas coisas é a inversão de Deus. Deus é uma coisa grande e está sempre em controlo. O deus das pequenas coisas pode ser a forma como as crianças vêem as coisas ou a vida dos insectos nos livros, os peixes ou as estrelas – é um não-aceitar do que pensamos ser as fronteiras dos adultos” (Arundhati Roy, retirado no Jornal Público).
O que não me agradou tanto foi a forma como a autora expôs a narrativa, andava sempre para trás e para a frente. Gosto de pegar num livro e saber onde procurar algumas partes da história mas com ela não é possível porque o mesmo momento da história é descrita ao longo do livro várias vezes, embora numa perpectiva um pouco diferente. Mas, de uma forma geral, foi uma excelente leitura. Aconselho vivamente.
Classificação: 4 - Gostei Muito