sábado, 2 de julho de 2011

O bem e o mal



"Mas afinal o que é isso do bem? Se antes da guerra Hitler estivesse a morrer e eu tivesse salvo, será que tinha praticado o bem? Se eu ajudar um amigo a obter um emprego, estarei a fazer o bem? Então e a outra pessoa que deixa de ir para esse emprego só porque pus lá o meu amigo? Ao fazer o bem a uma pessoa não estou a fazer mal à sua concorrente ou às suas futuras vítimas?(...) a questão do bem e do mal sempre gerou mais perplexidades do que certezas (...) O que é o bem e o que é o mal? Todos nós intuímos estes conceitos, mas a sua definição precisa escapa-nos. (...) Sabe o que é o mal? (...) É a incapacidade de nos pormos no lugar do outro. (...)O mal é a incapacidade de imaginar os sentimentos do outro e de os sentir como pudéssemos ser nós.(...) O bem é pormo-nos no lugar do outro. E actuar em conformidade,..."


José Rodrigues dos Santos, O Anjo Branco

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Novas Aquisições

Junho foi um mês de muitas aquisições. Nem quiz acreditar quando fiz o balanço final:
 




Aproveitei as promoções da revista Sábado para os autores nobeis e do Expresso para os livros do José Saramago. Comprei "O Toque de Midas" em segunda mão; o "Casamento em Dezembro" consegui através do Winkingbooks e o "John Lennon nunca morreu e outros contos fantásticos" foi-me oferecido pela própria autora, Catarina Coelho.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Anjo Branco

Autor: José Rodrigues dos Santos
Editora: Gradiva
N.º Páginas: 678
ISBN: 9789896163907
Categoria: Romance Histórico














Sinopse:
    A vida de José Branco mudou no dia em que entrou naquela aldeia perdida no coração de África e se deparou com o terrível segredo.
    O médico tinha ido viver na década de 1960 para Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária: criar o Serviço Médico Aéreo.
    No seu pequeno avião, José cruza diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longíquos da província. O seu trabalho depressa atrai as atenções e o médico que chega do céu vestido de branco transforma-se numa lenda no mato.

Chamam-lhe o Anjo Branco

    Mas a guerra colonial rebenta e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, José cruza-se com aquele que se vai tornar o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar.
    Inspirado em factos reais e desfilando uma galeria de personagens digna de uma grande produção, O Anjo Branco afirma-se como o mais pujante romance jamais publicado sobre a Guerra Colonial - e, acima de tudo, sobre os últimos anos da presença portuguesa em África.


Opinião:
    "O Anjo Branco" foi-me oferecido no meu aniversário pelo meu pai. Despertou-me logo a atenção não só porque ele adorou o livro mas também porque fala da guerra colonial que, siceramente, é um dos acontecimentos da história de Portugal que conheço pouco.
    Ao iniciar a leitura fiquei um pouco reticente por verificar que o livro é uma continuação de "A Vida num Sopro" que ficou um pouco aquém das minhas expectativas mas, ao avançar com a leitura comecei a achá-lo bastante interessante, até porque dá vida a novas histórias e personagens.
    "O Anjo Branco" retrata a história de um médico, José Branco, que vai para Moçambique prestar serviços de Saúde e, ao deparar-se com as limitações da assistência médica em províncias mais distantes, cria um Serviço Médico Aéreo onde cuida de todas as pessoas sem distinção da raça ou opções políticas. Ao longo dos anos que lá passa inicia-se a guerra em Moçambique e José Branco acaba por testemunhar o resultado de um dos episódios mais aterrorizantes, o massacre de Wiriyamu.
    Adorei ler este livro até porque o José Rodrigues dos Santos é um escritor que aprecio muito.  "O Anjo Branco" é o testemunho dos Portugueses que emigraram para África na década de 60-70, dos militares, em particular os que pertenceram à 6ª companhia de comandos, e do povo moçambicano sendo estes os inocentes que foram envolvidos pela guerra e os que estavam politicamente envolvidos contra o regime. Ao se basear numa história verídica fez com que a obra tivesse outra profundidade e fez-me pensar nas vítimas pelo que passaram nessa altura e pelas cicatrizes que ficam nos que vivem ainda hoje.
    Estive em dúvida se classicava com quatro ou cinco estrelas. Houve várias razões por não ter cotado mais esta leitura. A primeira foi o facto de ser o terceiro livro que li do autor e este começar quase da mesma forma que os outros, o que tornou para mim o início do romance um pouco cansativo. Outra das razões prende-se com a forma como o autor relaciona os factos históricos com o romance em si, dando às vezes a sensação de que nos está a debitar história nos diálogos. Por fim, o final não me arrebatou o suficiente. Apesar de terminar um pouco melhor que os outros dois livros que li dele, penso que podia ser mais emocionante.
    Acho que as pessoas que gostam de romances históricos vão apreciar este livro e, apesar de ter quase 700 páginas lê-se bastante bem. 

Classificação: 4,5 - Gostei Muito

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Nudez Mortal

Autor: J.D. Robb
Editora: Saída de Emergência
Colecção: Chá das Cinco
N.º Páginas: 248
ISBN: 9789898032300
Categoria: Policial/Literatura Romântica









Sinopse:
Eve Dallas é tenente da polícia de Nova York e persegue um assassino implacável. Em mais de 10 anos de profissão, ela já viu tudo - e sabe que a sua sobrevivência depende do seu instinto. E é precisamente esse instinto que ela tem de ignorar quando se envolve com Roarke, um bilionário irlandês, principal suspeito na investigação de Eve. Mas a paixão e a sedução têm as próprias regras e só depende de Eve arriscar-se ou não nos braços de um homem sobre o qual nada sabe, excepto que deseja loucamente a sua companhia... e tudo o que isso acarreta!

Opinião:
Achei que tinha chegado a altura de ler um policial e, uma vez que me ofereceram o livro resolvi pegar nele dado que nunca tinha lido nada de J.D. Robb/Nora Roberts.

Eve foi encarregue de uma investigação policial de um indivíduo que estava a matar prostitutas em Nova York, sem deixar vestígios que o incriminassem. Entretanto, ao longo da investigação, Eve apaixona-se pelo principal suspeito, Roarke, e acaba por se envolver com ele. Trata-se definitivamente de uma história romântica e com algum erotismo, ideal para quem aprecia este tipo de literatura. Já a abordagem do mistério, acho que ficou muito aquém. Suspeitei logo do assassino assim que ele foi apresentado no livro, apesar de não saber como a história ia ser desenvolvida. Por outro lado, acho que a autora podia ter desenvolvido mais o final. Apesar de a história não me ter fascinado, achei interessante a J.D. Robb ter contruído um romance futurista, simulando a actividade policial no ano de 2058 mas mais uma vez penso que podia ter elaborado um pouco mais esta ideia. Foi uma leitura bastante fluida até porque a escrita é muito acessível e sem grandes floreados e entreteve-me numa altura em que não me convinha ler nada muito pesado.

Classificação: 3 - Gostei

domingo, 29 de maio de 2011

Novas aquisições

Este mês de Maio, para além das comprinhas da feira do livro, adquiri mais alguns livros:


    
  
              

- O "1984" comprei em segunda mão.
- "A Aventura de Miguel Littin Clandestino no Chile", adquiri para aproveitar os prémios nobel disponibilizados pela revista Sábado.
- "Memórias de uma Gueixa" e "A Fórmula de Deus" pedi através do Winkingbooks.


Wishlist

Uma pequena lista de livros que pretendo adquirir:

- Expiação, Ian McEwan

- Os Miseráveis, Vitor Hugo

- O Décimo Terceiro Conto, Diane Setterfield

- Pompeia, Robert Harris 

- Por favor não matem a Cotovia, Lee Harper

- Os Pilares da Terra II, Ken Folett

- Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago

- A Casa dos Amores Impossíveis, Cristina López Barrio

- Capitães da Areia, Jorge Amado

- Duas Irmãs, Um Rei, Philippa Gregory

- As Seviçais, Kathryn Stockett

- Mil Sóis Resplandescentes, Khaled Hosseini

- Siddartha, Hermann Hesse

- A Fúria dos Reis, George R.R. Martin

- Isto é um Homem, Primo Levi

- Crónica do Pássaro de Corda, Haruki Murakami

- A Pequena Abelha, Chris Cleave

- A Rapariga que Roubava Livros, Markus Zusak

- O Último Cabalista de Lisboa, Richard Zimler

- O Jogo do Anjo, Carlos Ruiz Zafón

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O Deus das Pequenas Coisas

Autor: Arundhati Roy
Editora: Público
Colecção: Mil Folhas
Nº Páginas: 349
ISBN: 8406200736
Categoria: Romance













Sinopse:
O Deus das Pequenas Coisas, primeiro romance de Arundhati Roy, decorre durante os anos 60 na região de Kerala, no sul da Índia. A história começa com o funeral da menina inglesa Sophie Moll, prima dos protagonistas, os gémeos Rahel e Estha. Este acontecimento trágico serve de ponto de partida para uma narrativa onde Arundhati Roy nos apresenta uma apaixonante saga familiar, que decorre numa época conturbada na qual tudo pode modificar-se, num tempo e num país cujas essências parecem eternas. Um romance com uma escrita sensual, um estilo e um vislumbre do interior da natureza humana. A história política da Índia, com os seus tabus sociais que se fundem com o relato mágico acerca das grandezas e misérias da natureza humana. Um festim literário admiravelmente concebido e magistralmente narrado.

Opinião:
"O Deus das Pequenas Coisas" fala-nos de uma família Indiana ao longo de três gerações: os gémeos Estha e Rahel, a sua mãe Ammu, o tio Chacko, a avó Mammachi e a tia-avó Baby Kochamma. A narrativa desenrola-se principalmente em Kerala e em volta da trágica morte da prima dos gémeos, a Sophie Mol.

Paralelamente, a autora remete-nos para alguns problemas políticos, sociais e religiosos que ocorreram na região de Kerala na década de 60, época marcada pelas revoluções marxistas que contestavam alguns valores tradicionais bem como a exploração dos operários. É também visível a marginalização das pessoas pertencentes à casta mais baixa da India, os Párias, e nos condicionalismos a que a mulher indiana era sujeita. Mostra-nos ainda um pouco da expressão do Cristianismo na região de Kerala.

Gostei muito do livro e da escrita de Arundhati Roy. As descrições são ricas de metáforas e feitas com muita sensualidade. Fala-nos da Natureza de uma forma apaixonante, sendo impressionante a valorização que a autora dá às coisas mais simples.

Mas quem é esse “Deus das Pequenas Coisas”? “O deus das pequenas coisas é a inversão de Deus. Deus é uma coisa grande e está sempre em controlo. O deus das pequenas coisas pode ser a forma como as crianças vêem as coisas ou a vida dos insectos nos livros, os peixes ou as estrelas – é um não-aceitar do que pensamos ser as fronteiras dos adultos” (Arundhati Roy, retirado no Jornal Público).

O que não me agradou tanto foi a forma como a autora expôs a narrativa, andava sempre para trás e para a frente. Gosto de pegar num livro e saber onde procurar algumas partes da história mas com ela não é possível porque o mesmo momento da história é descrita ao longo do livro várias vezes, embora numa perpectiva um pouco diferente. Mas, de uma forma geral, foi uma excelente leitura. Aconselho vivamente.

Classificação: 4 - Gostei Muito

O Rouxinol

  " Se houve alguma coisa que aprendi durante esta minha longa vida, é isto: no amor descobrimos quem queremos ser; na guerra ...