segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Olá a todos!

Caros leitores,
Este blog tem andado parado a algum tempo e a frequência das postagens tende a ser cada vez mais baixa nos próximos tempos pois o meu ritmo de leitura tem abrandado significativamente. A razão deste abrandamento tem a haver com a descoberta de outros horizontes, neste caso a maternidade com a espera da chegada de um novo membro na família. Qualquer das formas não ando desaparecida e tenterei assim que me for possível continuar a partilhar as minhas opiniões convosco e a acompanhar os vossos posts!
 
 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

As Serviçais



Sinopse:
Skeeter tem vinte e dois anos e acabou de regressar da universidade a Jackson, Mississippi. Mas estamos em 1962, e a sua mãe só irá descansar quando a filha tiver uma aliança no dedo.
Aibileen é uma criada negra, uma mulher sábia que viu crescer dezassete crianças. Quando o seu próprio filho morre num acidente, algo se quebra dentro dela. Minny, a melhor amiga de Aibileen, é provavelmente a mulher com a língua mais afiada do Mississippi. Cozinha divinamente, mas tem sérias dificuldades em manter o emprego… até ao momento em que encontra uma senhora nova na cidade.
Estas três personagens extraordinárias irão cruzar-se e iniciar um projecto que mudará a sua cidade e as vidas de todas as mulheres, criadas e senhoras, que habitam Jackson. São as suas vozes que nos contam esta história inesquecível cheia de humor, esperança e tristeza.
Uma história que conquistou a América e está a conquistar o mundo.

Opinião:
    As serviçais é um livro sobre a vida das criadas negras em Jackson, no Mississipi, na década de 60 quando os direitos civis, sociais e humanos dos negros não eram tidos em conta. São três as personagens centrais, duas criadas negras, a Aibileen e a Minny com experiências de vida um pouco diferentes mas ambas descriminadas e humilhadas pelas suas patroas, e Skeeter uma futura escritora que, quando volta da universidade descobre que Constantine, a criada negra que a criou, já não trabalha na casa dos pais e fica sem perceber o que se passou realmente.
    Skeeter não se conforma como os negros são tratados na sua cidade, principalmente por algumas patroas brancas suas amigas e elabora um plano para dar voz às criadas negras de Jackson, dando-lhes a possibilidade de mostrar como são realmente tratadas. Estas três personagens acabam por se juntar e elaborar secretamente um projecto extremamente ambicioso e perigoso que vai alterar o rumo das suas vidas e de algumas pessoas em Jackson.
    Adorei ler este livro. Apesar da temática ser o racismo é sobretudo uma história de coragem e activismo. A sua escrita é bastante simples e fluida no entanto a autora consegue-nos transmitir uma grande ambivalência de sentimentos através das personagens, principalmente a partir da Aibileen, da Minny e da Skeeter já que são as narradoras desta história. Dei por mim a ler compulsivamente o livro para descobrir o seu final.
   Fico contente por ter lido este ano o Por favor, não matem a cotovia uma vez que é mencionado neste livro. O tema é o mesmo apesar de ser abordado de uma forma um pouco diferente. Com estas duas obras pude ver o peso que a problemática do racismo tinha nos Estados Unidos à uns anos atrás. Aconselho a leitura, principalmente para que aprecia este tipo de temas.

Citações:
"- Oh, Hilly, devias usar a casa de banho dos hóspedes(...)A Aibileen só limpa nas traseiras depois do almoço.(...)
- Mas a casa de banho dos hóspedes é onde vão as criadas - diz a senhora Hilly.
- Estás chateada porque a negra usa a casa de banho interior e nós também. (...)
- Elizabeth, se pudesses escolher, não preferias que fizessem o que têm a fazer lá fora?(...)
- Não sei - responde a senhora Leefolt (...)
- Só tens de dizer ao Raleigh que cada cêntimo gasto nessa casa de banho será recuperado quando venderem a casa. - (...) - E essas casas todas que estão a construir agora, sem aposentos para criados? É demasiado perigoso. Toda a gente sabe que eles têm doenças diferenças das nossas. (...)
- Seria bom. - Admite a senhora Leefolt, dando um pequeno trago no cigarro - que ela não usasse a de casa. (...)
 - Foi exatamente por essa razão que planeei a Iniciativa Sanitária do Pessoal Doméstico. Como uma medida de prevenção de doenças. (...)
- Um decreto exigindo que em todas as casas brancas haja uma casa de banho separada para os criados negros.(...)"

Também vi o filme mas, apesar de se basear no livro, existem algumas diferenças. Apesar de ter gostado achei o livro muito mais interessante.


domingo, 19 de agosto de 2012

Orgulho e Preconceito



Sinopse:
Elizabeth Bennet, uma das cinco filhas de uma família da classe média rural, conhece Fitzwilliam Darcy, membro da alta sociedade mas de um orgulho desmesurado. As tensões aparecem rapidamente, alternando sensivelmente o idílico e pacífico mundo rural inglês, que se revela como uma sociedade rígida, em que abundam os preconceitos e na qual nem tudo é aquilo que parece.

"Orgulho e Preconceito" é o mais famoso dos romances de Jane Austen, que ganhou um lugar entre os autores mais lidos pelo grande público e entre os clássicos apreciados pelos académicos, pelo seu profundo conhecimento dos mecanismos que regem as relações humanas, bem como pela ironia com que dota os seus romances.

Opinião:
    Esta obra é uma das minhas favoritas desde sempre. Já tinha lido este livro mas deu-me vontade de voltar a pegar nele.  Um romance que decorre na década XIX e que retrata a sociedade e os hábitos daquela época. A personagem central da história é a Elizabeth, uma das cinco filhas da família Bennet, pertencente à classe média. Ela  e as suas irmãs são apresentadas à alta sociedade através de uma festa onde conhece o Sr. Darcy um dos homens mais ricos de Londres mas conhecido pelo seu carácter rude e orgulhoso, não ficando muito bem visto aos olhos da protagonista.
    Elizabeth é caracterizada como uma personagem um pouco diferente das mulheres em geral, com uma visão e valores muito próprios. Através dela podemos assistir algumas críticas sociais, sobretudo no que diz respeito ao coquetismo, preconceitos de classes, cinismo e jogos de interesses. Apresenta um carácter bastante forte recusando mesmo boas propostas de casamento por não sentir amor, mesmo ciente de que poderia acabar o resto da sua vida solteira e continuar a ser um encargo para os seus pais.
    Mas, mesmo Elizabeth sendo tão correcta e sensata, com o desenrolar de alguns acontecimentos apercebe-se que as aparências por vezes iludem e que as coisas nem sempre são o que parecem. É então que se dá conta de que alguns julgamentos feitos por si não corresponde de facto à realidade, incluindo as suas impressões acerca do Sr. Darcy...
    Não consigo de todo mostrar a grandiosidade deste clássico e o impacto que a sua leitura teve em mim. É um livro absolutamente magnífico pela sua escrita, pelas descrições dos costumes da época, pela crítica e ironia mas sobretudo pela linda história entre Elizabeth e Darcy. E, apesar de já ter sido escrito à muitos anos acho bastante actual, podendo perfeitamente descrever, em aguns aspectos a sociedade dos dias de hoje, como por exemplo a futilidade instalada no quotidiano e aos juizos de  valor pré-concebidos.
    Também vi o filme que achei bastante fiel ao livro e a Elizabeth é uma das minhas actrizes preferidas, Keira Knightley. É excelente, principalmente a cena final!




terça-feira, 5 de junho de 2012

A Varanda do Frangipani

Autor: Mia Couto
Editora: Editorial Caminho
N.º Páginas: 158
Categoria: Romance








Sinopse:

Mia Couto nasceu na Beira, Moçambique, em 1955.
Foi jornalista. É professor, biólogo, escritor. Está traduzido em diversas línguas. Entre outros prémios e distinções (de que se destaca a nomeação de Terra Sonâmbula como um dos doze melhores livros africanos do século XX) foi galardoado, pelo conjunto da sua obra, com o Prémio União Latina de Literaturas Românticas 2007 e com o Prémio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura pelo romance O Outro Pé da Sereia.

«Nessa manhã, eu saí do corpo de Izidine Naíta. Restreava assim minha própria matéria no mundo, fantasma visível só pela frente. A luz imensa me invadiu assim que me descorpei do polícia. Primeiro, tudo cintilou em milibrilhos. A claridade, aos poucos, se educou. Olhei o mundo, tudo em volta se inaugurava. E murmurei, com a voz já encharcada:
- É a terra, minha terra!
Mesmo assim, pávida e poeirenta, ela me surgia como o único lugar do mundo. Meu coração, afinal, não tinha sido enterrado. Estava ali, sempre esteve ali, reflorindo no frangipani. Toquei a árvore, colhi a flor, aspirei o perfume.»

Opinião:
    A Varanda do Frangipani conta a história de um morto, Ermelindo Mucanga, que foi enterrado em S. Nicolau sem cerimónia e aos rituais tradicionais moçambicanos o que fez com que ficasse num estado de xipoco (fantasma) e consequentemente a sua alma a ficou a vaguear perto da sua campa, por baixo de um frangipani. Aconselhando-se então com o pangolim, um animal que os moçambicanos acreditam trazer mensagens dos céus, chegou à conclusão que para que podesse atingir o seu estado de Xicuembo (defunto definitivo) teria que remorrer. Ermelindo Mucanga reencarnou então no corpo de um inspector da polícia, Izidine Naíta, que se deslocava para a fortaleza de S. Nicolau afim de investigar o assassinato de Vasco Excelêncio, o responsável de um asilo de velhos.
    É sempre agradável ler Mia Couto pela sua escrita simples mas simultaneamente mágica e poética. Esta prosa encontra-se repleta de descrições sobre os costumes, tradições e crenças dos moçambicanos, recontadas pelas próprias personagens ao longo da narrativa.
 É um pequeno livro mas que trás algumas mensagens interessantes, escritas de forma suptil e que se vão assimilando gradualmente. Um exemplo disso é o próprio título que se trata de uma metáfora e que só compreendi após terminar o livro e reflectir um pouco sobre o assunto. São focadas algumas marcas ainda existentes após a guerra colonial, o tráfico ilegal de armas utilizadas durante a guerra, e algumas preocupações inerentes ao desenvolvimento de um novo Moçambique que com a inovação tende-se a esquecer algumas tradições e valores ainda preservadas na fortaleza. 
 

domingo, 20 de maio de 2012

Expiação

Autor: Ian McEwan
Editora: Gradiva
Nº Páginas: 419
ISBN: 978 972 662 822 4
Categoria: Romance














Sinopse:
No dia mais quente do Verão de 1935, Briony Tallis, de 13 anos, vê a irmã Cecilia despir-se e mergulhar na fonte que existe no jardim da sua casa.
É também observada por Robbie Turner, um amigo de infância que, à semelhança de Cecilia, voltou há pouco tempo de Cambridge. Depois desse dia, a vida das três personagens terá mudado para sempre. Robbie e Cecilia terão ultrapassado uma fronteira que, à partida, nem sequer imaginavam e tornar-se-ão vítimas da imaginação da irmã mais nova. Briony terá presenciado mistérios e cometido um crime que procurará expiar ao longo de toda a sua vida.
Expiação é, porventura, a melhor obra de Ian McEwan. Descrevendo de forma brilhante e cativante a infância, o amor e a guerra, a Inglaterra e a situação de classes, contém no seu âmago uma exploração profunda – e muito comovente – da vergonha, do perdão, da expiação e da dificuldade da absolvição.

Opinião (pode conter spoilers):
     Já há muito tempo que queria ler este livro de tanto que ouvi falar. Assim que me ofereceram coloquei-o no topo da minha pilha de livros e assim que pude, iniciei logo a sua leitura.
     O ponto alto do livro é sem dúvida a escrita do Ian McEwan. Ele é um belíssimo escritor, apresentando descrições maravilhosas e bastante introspecções. Permite-nos também ver várias perspectivas da narrativa, em função da personagem que está a descrever. Mas, por vezes devagueia demasiado nas suas descrições o que acabou por me deixar um vazio em alguns momentos narrativos numa fase inicial do livro. E, para mim que sou uma eterna romântica, apesar de não muito lamechas, criei algumas expectativas relativamente ao romance de Robbie e Cecilia que pensei ver um pouco mais desenvolvido mas, quando dei por mim, tinha terminado o livro. O final deixou-me um pouco triste mas que segue a linha do que era o mais provável de acontecer, não num romance mas sim na vida real, mostrando-nos a efemeridade da vida e impossibilitando de Briony corrigir o seu erro e obter absolvição perante Robbie e Cecilia.
     O autor descreve aspectos interessantes como as diferenças sociais, a passagem da infância para a adolescência, o arrependimento, a tentativa de rendição, o amor em tempos de guerra, a vida dentro e fora do campo de batalha, as implicações que os julgamentos precipitados podem ter na vida das outras pessoas e que estas podem deixar marcas para o resto das nossas vidas.
     É uma leitura que aconselho e certamente penso ler mais obras do autor. Adorei!

Após terminar o livro vi também o filme:



Para mim, o filme ficou muito aquém do livro. No entanto, apesar de serem omitidas algumas partes do livro, penso que ouve uma tentativa de se mostrar fiel ao romance relativamente às descrições paisagíticas e no que respeita à exposição das várias perspectivas da narrativa em função do personagem. As representações de James McAvoy e a Keira Knightley são muito intensas, como não se poderia esperar outra coisa destes excelentes dois actores.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Aquisições - Feira do livro 2012!

Tenho andado um pouco desaparecida mas o excesso de trabalho tem limitado um pouco o meu tempo. Tem dias que nem consigo dedicar-me à leitura e nem aceder à internet. Qualquer das formas consegui num destes fins de semana ir à feira do livro. A minha ideia era só dar um passeio mas não consegui resistir:

        Acácia - Ventos do Norte  
O Despertar da Magia (As Crónicas de Gelo e Fogo, #4)

O Deus das Moscas estava em promoção devido à mudança de edição. Aproveitei ainda a promoção da saída de emergência: na compra de dois livros oferta de um para além de estarem com desconto de 20-30%. Mais uns "livrinhos" para tentar encaixar nas estantes!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Não matem a cotovia


Autor: Harper Lee
Editora: Europa-América
Colecção: Livros de bolso - Grandes Obras
N.º Páginas: 273
ISBN: 9789721015500
Categoria: Clássico














Sinopse:

As cidadezinhas do Alabama seriam simples e pacatas se não sofressem de uma doença terrível: o racismo.
Um advogado defende com toda a convicção, e arrostando com ameaças e preconceitos, um negro acusado de violentar uma rapariga branca. A sua luta é contudo vã: nunca num tribunal de Alabama se dera razão a um negro contra um branco.
É uma criança que nos conta esta história. Uma criança que vai descobrindo o mundo que a rodeia e é testemunha de violências e atrocidades. A sua narrativa semi-inconsciente quase se torna a voz da adormecida consciência norte-americana
.

Opinião:

     Já estava algum tempo para ler este livro de tão bem que falam dele. Assim que o comprei foi automaticamente para o topo da minha lista de leituras. E não me arrependi de o fazê-lo. 
     Uma história contada na perspectiva de uma criança que vive numa pequena cidade dos EUA, Maycomb, em meados do século XX. Uma menina, chamada Scout que, à medida que vai crescendo, se depara com uma série de preconceitos instaurados na população de Maycomb sendo o mais grave deles o Racismo. Scout testemunha um caso de um indivíduo respeitável acusado e condenado injustamente em tribunal apenas por ser negro. E ela e o seu irmão acabam por ser de certa forma discriminados por o seu pai Actticus, advogado, ter aceite defender o negro.
     Um livro que nos mostra até que ponto o ser o humano é capaz de atitudes de injustiça e descriminação mesmo sabendo que não estão a ser justos. No entanto, transversalmente, através da personagem de Atticus, faz-nos vez que há pessoas altruistas que se preocupam e se esforçam para tornar este mundo um pouco melhor apesar de terem consciência que possivelmente nada vão conseguir mudar, pelo menos no presente.  
     Para mim o ponto alto do livro é precisamente a capacidade da autora se colocar sob o ponto de vista de uma criança e contar esta história de uma forma simples mas que nos prende à narrativa. Harper Lee faz-nos ver que há coisas que muitos adultos acabam por perder com o avançar idade como a capacidade de se colocar no lugar do próximo, mesmo que seja de outra raça, ou simplesmente questionarmo-nos sobre o que nos rodeia. Deixa-nos também a pensar como é que uma cidade inteira não consegue compreender um problema simples como racismo quando uma criança de 9 anos percebe a dimensão desta questão:

- Miss Gates é uma boa senhora, não é?
- Com certeza...- disse Jem - Eu gostava dela, quando andava na sua aula.
- Ela odeia Hitler, a valer ...
- Que mal há nisso?
- Bem, ela exaltou-se toda, hoje, a respeito de ser mau ele tratar assim os judeus. Jem, não há direito de perseguir ninguém, pois não? Quero eu dizer: mesmo ter maus pensamentos a respeito de alguém; é assim?
- Com certeza que não há direito, Scout. que tens tu?
- Bem, ao sair do tribunal, naquela noite, Miss Gates estava... ela vinha a descer os degraus à nossa frente, não deves ter visto... ela estava a falar com Miss Stephanie Crawford. Ouvi-a dizer: «É tempo de que alguém lhes dê uma lição, eles (os negros) estão a exceder-se, e não tarda aí que pensem em casar connosco.» Jem, como é que alguém pode odiar tanto Hitler e, depois, voltar-se e ser mau para as pessoas da sua própria terra?...

Aconselho sem dúvida nenhuma a leitura deste livro, no entanto esta edição deixa um pouco a desejar por ser um livro de bolso com letras muito miúdas e pela qualidade da tradução e revisão do texto.

O Rouxinol

  " Se houve alguma coisa que aprendi durante esta minha longa vida, é isto: no amor descobrimos quem queremos ser; na guerra ...