domingo, 1 de julho de 2018

Noites Brancas



Noites Brancas



Noites Brancas é uma obra de Fiodor Dostoiévski escrita em 1848 cuja personagem central é um jovem sonhador que vive numa eterna solidão, vagueando pelas ruas de S. Petersburgo. Até que numa das noites brancas, num dos seus passeios solitários pela cidade, conhece uma jovem moça, Nástienka, que lhe faz companhia durante quatro noites, durante as quais conversam sobre as suas histórias, as suas angústias e os seus sonhos.
Foi o primeiro livro que li do Dostoiévski, oportunidade que surgiu devido a um projeto de uma youtuber que acompanho, a Isa do lidolendo que pretende ler todas as suas obras por ordem cronológica. Gostei muito da escrita, das descrições e do romantismo apresentado pelo autor.
A noite branca ocorre nos países nórdicos junto ao circulo polar ártico, no período do verão, em que mesmo depois de o sol se pôr, nunca escurece na totalidade. Este fenómeno acaba por dar à cidade um pano de fundo místico e romântico:

"Era uma noite maravilhosa, uma destas noites que apenas são possíveis quando somos jovens, amigo leitor. O céu estava tão cheio de estrelas, tão luminoso que quem erguesse os olhos para ele ver-se-ia forçado a perguntar a si mesmo: será possível que sob um céu assim possam viver homens irritados e caprichosos?" 

Dostoiévski dá enfase à cidade de S. Petersburgo, falando dela como se trata-se de uma personagem, uma cidade onde tudo é possível, mesmo encontros mágicos e improváveis. E sob esse crespúsculo permanente por essas quatro noites acompanhamos as histórias de vida e reflexões destas duas personagens que muito embora escrita de forma agradável e romântica esta obra tem uma carga muito triste e negativa. Por essa mesma razão não consegui adorar o livro no entanto acho que foi um bom ponto de partida para começar a ler Dostoiévski. Vou continuar a acompanhar o projeto da Isa e juntar-me à leitura dos livros que se encontram na minha prateleira.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Frankeinstein


   A obra Frankeinstein surgiu graças a um desafio lançado entre três amigos numa viagem a Genebra, tendo sido combinado entre eles que cada um escreveria um romance com base numa ocorrência sobrenatural. Apenas Mary Shelley completou a sua história tendo este se tornado num clássico da literatura que certamente todos conhecem a base da sua história. 
    Frankeinstein era um jovem estudante cientista que desde novo se interessava por questões metafísicas. Durante o seu percurso académico, realizava experiências por conta própria numa tentativa de encontrar respostas das questões de antigos cientistas e filósofos até que descobre o segredo da geração da vida. Face a esta grande descoberta resolve então criar um ser humano num aposento solitário da Universidade. Depois de ter terminado o seu trabalho, deu-se conta que tinha criado um ser com um aspeto tão monstruoso que ele próprio, o seu criador, o temeu e renegou. O monstro que, apesar da sua má aparência, era um ser bom e sensível mas, por ter sido abandonado e maltratado, acabou por se tornar mau e cruel.
    Este era um livro que queria ler já à algum tempo, tendo surgido então esta oportunidade com um grupo de leitura conjunta no goodreads, o clube dos clássicos vivos, o qual me tornei membro recentemente. Apesar de ter gostado da história, não a adorei. Houve alturas em que a leitura foi difícil, penso que por parte devido à má tradução/revisão da obra. Também não é de todo o género de livros que costumo ler, dentro do gótico/terror. Achei interessante a tentativa da escritora criar um ambiente sinistro através das suas descrições sendo a Suíça, sem dúvida, um cenário bem escolhido pela sua paisagem e pelo seu clima. São levantadas algumas questões bem atuais como a criação de juízos de valor pela aparência física, a influência que a sociedade pode exercer na formação da personalidade dos indivíduos, a ética humana face ao desenvolvimento do nosso conhecimento e a responsabilidade de cada um face às nossas decisões e ações ao longo da vida.
    Recomendo a leitura!

domingo, 6 de maio de 2018

Feliz dia da mãe!





PARA SEMPRE

Por que Deus permite
que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

(Carlos Drummond de Andrade) 

terça-feira, 17 de abril de 2018

Um Estranho Amor

Um Estranho Amor - Ampliar Imagem


"A minha mãe afogou‑se na noite de 23 de Maio, dia do meu aniversário, no braço de mar em frente da localidade que chamam Spacca‑vento, a poucos quilómetros de Minturno. Exactamente naquela zona, no fim dos anos 50, quando o meu pai ainda vivia connosco, alugáva‑mos no Verão um quarto numa casa rural e passávamos o mês de Julho a dormir os cinco dentro de escassos noventa metros quadrados." 

"Um estranho Amor", primeiro romance escrito por Elena Ferrante, é uma história contada na primeira pessoa de Délia, uma mulher de meia idade, que pretende descobrir se a morte da sua mãe Amália tinha sido um suicídio, um acidente ou um assassinato e o porquê das estranhas circunstâncias em que o seu corpo foi encontrado. Para isso retorna à cidade das suas origens, Nápoles, numa tentativa de reconstruir os últimos momentos de vida de Amália onde recorda alguns episódios da sua infância, repleta de intrigas familiares e de violência doméstica. A dada altura Délia apercebe-se que, embora a sua mãe estivesse muito presente, o relacionamento entre as duas tornou-se distante em alguma fase das suas vidas. Consequentemente, para encontrar as suas respostas, tenta colocar-se na pele dessa mãe desconhecida e, o que no inicio parecia apenas a busca das causas da morte de Amália, tornou-se numa reflexão sobre a sua própria identidade e o peso que o seu passado e as vivências com sua mãe tiveram na pessoa que Délia é hoje.

Foi o primeiro que li da autora e gostei muito da sua escrita e da forma como constrói o enredo. Nesta pequeno romance a autora aborda assuntos atuais e muito presentes não só em Nápoles, mas também em muitos outros lugares em todo o mundo como: a violência doméstica, o amor obsessivo, o machismo e a desvalorização dos sentimentos e da importância do papel da mulher no seio familiar. Mas o que o torna realmente especial é a intensidade da sua escrita e a profundidade que dá às suas reflexões sobre as relações humanas. Posso dizer que logo após terminar o livro não o adorei, talvez por estar com uma expectativa diferente sobre a autora ou por falar sobre assuntos que, como mulher e mãe me incomodam muito. No entanto, escrever esta opinião obrigou-me a explorar mais sobre esta obra e deixou-me perceber a sua genialidade.

Estou bastante curiosa por ler mais livros desta escritora.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Desafios para 2018



    Apesar de não me apegar muito a desafios literários penso que estes ajudam a impulsionar o ritmo das nossas leituras. O primeiro desafio será ler 12 livros por ano, ou seja, no mínimo um livro por mês. Como não podia deixar de ser pretendo ler mais clássicos da literatura e continuar com o meu desafio de ler a lista dos 1001 livros a ler antes de morrer. Pretendo ainda sair um pouco da minha zona de conforto e experimentar outros estilos que nunca li como as biografias, livros reportagem, livros sobre assuntos da atualidade e quem sabe poesia. Por essa razão vou seguir o desafio livrada 2018 que foi desenvolvido por um leitor que tem um canal do youtube. Ainda não escolhi todos os livros mas pode ser que me consigam ajudar.
    Pretendo ainda ler mais livros escritos por mulheres pois constatei que leio maioritariamente homens, e dedicar-me também à literatura nacional. Quero ainda comprar menos livros ao longo do ano, pelo menos até conseguir reduzir significativamente a quantidade de livros que tenho para ler na estante por essa razão juntei-me a uma maratona no goodreads que consiste em diminuir a quantidade de livros por ler na nossa estante.


Desafio Livrada! 2018 - Categorias:




1 - Um livro de poesia nacional contemporânea - ( ainda não escolhi, o canal do youtube é brasileiro mas eu se cumprir com esta categoria vou escolher um autor Português)


2 - Uma distopia  - "1984" de George Orwell


3 - Um livro de abordagem metafísica (romance com reflexões teológicas, filosóficas...): A Paixão de Madalena de Margaret George - Lido


4 - Um livro de história - "Sapiens: História Breve da Humanidade" deYuval Noah Harari


5 - Um livro narrado em primeira pessoa - "Um estranho amor " Elena Ferrante - Lido


6 - Um romance hispano-americano - "O meu país inventado" de Isabel Allende


7 - Um livro experimental  - "Se numa noite de Inverno, Um viajante" de Ítalo Calvino


8 - Um livro com um título impactante - "O vendedor de passados" José Eduardo Agualusa


9 - Um livro ilustrado (*não é HQ) - "A volta ao mundo em 80 dias" de Julio Verne - lido


10 - Um livro que se passa num país sobre o qual você não conhece nada - "No coração desta Terra" de J. M. Coetzee, sobre a Africa do Sul


11 - Um livro contemporâneo a si mesmo (que narra o presente) - Muitas opções nesta categoria. Talvez "A abadia de Northanger" de Jane Austen ou "Norte e Sul" de Elisabeth Gaskell


12 - Um livro que foi lançado no ano que você nasceu  - "A insustentável leveza do Ser" de Milan Kundera


13 - Um livro sobre música - (não sei se tenho algum na estante)


14 - Um livro sobre um tema que você acha tabu  - Tenho três cá em casa: "Lolita" de Vladimir Nabokov sobre a pedofilia, "Be Loved" sobre o racismo


15 - Leitura obrigatória do "O Obsceno Pássaro da Noite", de José Donoso (livro alternativo, "Salmo - Romance-Meditação Sobre Os Quatro Flagelos do Senhor, de Friedrich Gorenstein).



Maratona literária trimestral Goodreads de Abril, Maio e Junho de 2018



1 - Ler um(a) autor(a) brasileiro(a) - "Mar Morto", Jorge Amado ou "Dom Casmurro" de Machado de Assis

2 - Ler um(a) autor(a) português(a) - Dia dos Prodígios, Lídia Jorge

3 - Ler um livro com adaptacão ao cinema ou Tv - Revolutionary Road, Richard Yates

4 - Ler um livro da nossa estante cuja leitura está constantemente a ser adiada - Vendedor de passados de José Eduardo Agualusa

5 - Ler um(a) escritor(a) nunca lido(a) - A paixão de Madalena Margaret George - Lido

6 - Ler um livro sobre crime e/ou mistério - O segredo da casa de Riverton de Kate Morton
7 - Ler um livro emprestado/da biblioteca - A paixão de Madalena II de Margaret George

8 - Ler um livro de uma saga - As Brumas de Avalon de a Senhora da Magia de Marion Zimmer Bradley


9 - Ler um livro da lista dos 1001 livros que devem ser lidos antes de morrer - Frankenstein


10 - Ler um livro com/sobre magia- As brumas de Avalon - A Rainha Suprema de Marion Zimmer Bradley

11 - Ler um livro de um autor do oriente ou cuja história se passe no oriente - O Mandarim de Eça de Queirós

12 - Ler um livro do(a) nosso(a) autor(a) favorito(a)- O meu pais inventado de Isabel Allende


13 - Ler um livro comprado este ano - A mancha humana de Philip Roth


14 - Ler um dos livros ou de um dos autores que constam na lista de livros lidos pelo grupo - A abadia de Northanger de Jane Austen

O Rouxinol

  " Se houve alguma coisa que aprendi durante esta minha longa vida, é isto: no amor descobrimos quem queremos ser; na guerra ...