quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Spunik, Meu Amor

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Um jovem professor primário, identificado apenas pela inicial «K», apaixona-se por Sumire, uma jovem aspirante a escritora. Quando esta entabula uma relação amorosa com Miu, uma enigmática mulher de meia-idade que a emprega como secretária, K é relegado para o ingrato papel de confidente. Sumire, porém, estando de férias numa ilha grega com a sua amante, desaparece misteriosamente, e K é chamado para ajudar nas buscas. Um estranho triângulo que oferece uma profunda reflexão sobre a solidão, os sonhos e aspirações do indivíduo e a necessidade de os adaptar à realidade.

     Foi o primeiro livro que li de Haruki Murakami. Apesar de ter este livro na estante à anos não pegaria nele tão cedo se não tivesse três colegas de trabalho aficionados nas suas obras. E ainda bem que decidi entrar no mundo de Murakami: um verdadeiro contador de histórias, com uma escrita bonita e fluida, no entanto com reflexões um tanto complexas.
    O autor cria um triângulo entre três personagens comuns, contudo com realidades e experiências de vidas distintas: um professor primário, uma jovem que desejava ser escritora e uma empresária. Acabamos então por compreender que elas não são assim tão diferentes e que num dado momento da sua vida têm ou tiveram algo em comum: a necessidade de sonhar, o amor, a solidão e a vivência de uma dimensão desconhecida. O que mais me agradou ao longo da leitura foi a sua carga de surrealismo que sem dúvida trás beleza à sua obra, contudo é um romance que pode ser interpretado de diferentes formas.
     Fiquei um pouco desolada ao terminar o livro por não ter a certeza se compreendi a mensagem dada pelo autor, se o objetivo dele foi deixar o final em aberto ou se o tradutor não conseguiu transpor exatamente o desfecho do livro. Foi sem dúvida foi uma leitora muito agradável e penso que merece uma releitura para que possa assimilar um pouco mais as metáforas do autor.
     Pretendo ainda ler algo mais do autor. E vocês já conhecem o Haruki Murakami? Tem alguma sugestão de alguma obra que vos interessou particularmente?

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

A Filha da Floresta


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Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era Lei e a magia uma força da natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, e dos seus seis irmãos.

O domínio Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e Criaturas Encantadas que deslizam pelos bosques vestidos de cinzento e mantêm as armas afiadas. O maior perigo para este idílio vem de dentro: Lady Oonagh, uma feiticeira, que casou com o pai de Sorcha, senhor de Sevenwaters. Frustrada por conseguir encantar todos menos a enteada, Oonagh lança um poderoso feitiço sobre os irmãos da rapariga, que só Sorcha poderá conseguir quebrar. Porém, a meio da pesada tarefa de libertar os irmãos, Sorcha é raptada por um grupo de salteadores, e ver-se-á dividida entre o dever de salvar a vida dos irmãos e um amor cada vez maior, proibido, pelo senhor da guerra que a capturou.



     Nunca fui uma leitora de fantasia pois os livros que comprava eram preferencialmente de outros estilos. Li grande parte dos livros do Harry Potter quando era mais nova e adorei mas nunca procurei este tipo de literatura. No entanto, com a criação deste blog fui saindo um pouco da minha zona de conforto e descobri outros horizontes. Relativamente à fantasia confesso que comprei alguns mas foram poucos os que realmente li. Este livro é um caso destes, encontrava-se na minha estante à uns anos porque o encontrei em promoção na feira do livro e por ter lido imensas opiniões positivas dos blogs que acompanhava.
     Surgiu então a oportunidade de ler Juliet Maurilier num grupo do Goodreads com a volta ao mundo em livros, onde o país selecionado foi a Nova Zelândia. E digo-vos que tenho pena de não ter lido este livro mais cedo porque simplesmente adorei. A Filha da floresta é o primeiro livro da triologia sevenwaters. Trata-se de um romance celta repleto de lendas,  misticismo e fenómenos sobrenaturais. Uma história que trás na sua essência os laços da família, o sacrifício, o companheirismo, a amizade e o amor. A escrita de Juliet Maurilier é envolvente, deslumbrante e acolhedora, um pouco à imagem das histórias encantadas que ouvia quando era criança. Não vou falar muito mais deste livro, primeiro porque as pessoas fãs de fantasia já o leram com toda a certeza e também porque é difícil falar sobre este livro sem spoilers. Aconselho a leitura para quem gosta de literatura fantástica com romance à mistura. Entrou sem dúvida na lista dos meus livros favoritos e assim que tenha possibilidade vou ler o resto desta saga e mais livros da autora.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Últimas aquisições

    Uma vez que houve algumas promoções, aproveitei para fazer umas compras. Alguns foram adquiridos através do winkingbooks.





    No entanto ando a tentar diminuir a quantidade de livros não lidos da minha estante e vou colocar a mim mesma o desafio de ler no mínimo quatro livros comprados antes do ano corrente, neste caso comprados antes de 2018 ou empréstimos, antes de adquirir um livro novo. Esta ideia foi tirada do blog de A Mulher que Ama livros.

    Alguém já leu algum destes livros? Alguma sugestão desta pilha para um próxima leitura?

domingo, 1 de julho de 2018

Noites Brancas



Noites Brancas



Noites Brancas é uma obra de Fiodor Dostoiévski escrita em 1848 cuja personagem central é um jovem sonhador que vive numa eterna solidão, vagueando pelas ruas de S. Petersburgo. Até que numa das noites brancas, num dos seus passeios solitários pela cidade, conhece uma jovem moça, Nástienka, que lhe faz companhia durante quatro noites, durante as quais conversam sobre as suas histórias, as suas angústias e os seus sonhos.
Foi o primeiro livro que li do Dostoiévski, oportunidade que surgiu devido a um projeto de uma youtuber que acompanho, a Isa do lidolendo que pretende ler todas as suas obras por ordem cronológica. Gostei muito da escrita, das descrições e do romantismo apresentado pelo autor.
A noite branca ocorre nos países nórdicos junto ao circulo polar ártico, no período do verão, em que mesmo depois de o sol se pôr, nunca escurece na totalidade. Este fenómeno acaba por dar à cidade um pano de fundo místico e romântico:

"Era uma noite maravilhosa, uma destas noites que apenas são possíveis quando somos jovens, amigo leitor. O céu estava tão cheio de estrelas, tão luminoso que quem erguesse os olhos para ele ver-se-ia forçado a perguntar a si mesmo: será possível que sob um céu assim possam viver homens irritados e caprichosos?" 

Dostoiévski dá enfase à cidade de S. Petersburgo, falando dela como se trata-se de uma personagem, uma cidade onde tudo é possível, mesmo encontros mágicos e improváveis. E sob esse crespúsculo permanente por essas quatro noites acompanhamos as histórias de vida e reflexões destas duas personagens que muito embora escrita de forma agradável e romântica esta obra tem uma carga muito triste e negativa. Por essa mesma razão não consegui adorar o livro no entanto acho que foi um bom ponto de partida para começar a ler Dostoiévski. Vou continuar a acompanhar o projeto da Isa e juntar-me à leitura dos livros que se encontram na minha prateleira.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Frankeinstein


   A obra Frankeinstein surgiu graças a um desafio lançado entre três amigos numa viagem a Genebra, tendo sido combinado entre eles que cada um escreveria um romance com base numa ocorrência sobrenatural. Apenas Mary Shelley completou a sua história tendo este se tornado num clássico da literatura que certamente todos conhecem a base da sua história. 
    Frankeinstein era um jovem estudante cientista que desde novo se interessava por questões metafísicas. Durante o seu percurso académico, realizava experiências por conta própria numa tentativa de encontrar respostas das questões de antigos cientistas e filósofos até que descobre o segredo da geração da vida. Face a esta grande descoberta resolve então criar um ser humano num aposento solitário da Universidade. Depois de ter terminado o seu trabalho, deu-se conta que tinha criado um ser com um aspeto tão monstruoso que ele próprio, o seu criador, o temeu e renegou. O monstro que, apesar da sua má aparência, era um ser bom e sensível mas, por ter sido abandonado e maltratado, acabou por se tornar mau e cruel.
    Este era um livro que queria ler já à algum tempo, tendo surgido então esta oportunidade com um grupo de leitura conjunta no goodreads, o clube dos clássicos vivos, o qual me tornei membro recentemente. Apesar de ter gostado da história, não a adorei. Houve alturas em que a leitura foi difícil, penso que por parte devido à má tradução/revisão da obra. Também não é de todo o género de livros que costumo ler, dentro do gótico/terror. Achei interessante a tentativa da escritora criar um ambiente sinistro através das suas descrições sendo a Suíça, sem dúvida, um cenário bem escolhido pela sua paisagem e pelo seu clima. São levantadas algumas questões bem atuais como a criação de juízos de valor pela aparência física, a influência que a sociedade pode exercer na formação da personalidade dos indivíduos, a ética humana face ao desenvolvimento do nosso conhecimento e a responsabilidade de cada um face às nossas decisões e ações ao longo da vida.
    Recomendo a leitura!

domingo, 6 de maio de 2018

Feliz dia da mãe!





PARA SEMPRE

Por que Deus permite
que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

(Carlos Drummond de Andrade) 

O Rouxinol

  " Se houve alguma coisa que aprendi durante esta minha longa vida, é isto: no amor descobrimos quem queremos ser; na guerra ...