Ler clássicos é sempre desafiante mas O Som e a Fúria é um daqueles livros que o desafio torna-se ainda maior. Acho importante para quem queira ler esta obra faça uma pesquisa do seu enquadramento histórico pois vai ajudar imenso a compreendê-lo. Felizmente o livro vem com um epílogo que nos ajuda a contextualizarmos a história antes de o lermos, mesmo assim acho que terei que fazer uma releitura para absorver a mensagem do Faulkner.
Este romance fala-nos sobre a decadência dos Compson, uma família tradicional sulista americana que vive no período da Grande Depressão e que sofre as consequências das alterações económicas, políticas e sociais vivida nos Estados Unidos da América num contexto pós primeira guerra mundial. A filha Caddy é a protagonista uma vez que toda a trama se desenrola à sua volta, apesar da história ser contada por outras quatro personagens. A primeira parte é narrada pelo irmão mais novo Benji que tem um atraso mental. De seguida a narrativa é feita pelo irmão mais velho, Quentin, que foi estudar para Universidade de Harvard às custas de um grande sacrifício financeiro dos pais e que por fim acaba por se suicidar. O terceiro narrador é o outro irmão, o Jason, uma pessoa vil, egoísta e recalcada que acaba mais tarde por assumir o papel de dono da casa. A última narrativa é feita pela empregada negra, Dilsey Gibson, sendo que ela e a sua família representa os afro-americanos após um regime pós-escravatura.
Foi uma leitura difícil mas muito interessante, é um livro completamente diferente do que tenho lido. A narrativa é construída através do subconsciente dos personagens sendo que cada capítulo corresponde a fluxos de consciência dos diferentes narradores. O discurso é feito em função de uma linha de pensamento que muitas das vezes não é coerente na altura em que lemos mas que no final do livro acaba tudo por fazer sentido. A própria construção do livro é feita de forma muito inteligente, é uma narrativa cíclica, feito de forma a começarmos a ler novamente mal se termine o livro. Só tenho pena de o autor não ter optado por dedicar um capítulo à Caddy, seria interessante percebermos o que a leva a ter determinados comportamentos e analisarmos os seus sentimentos.
Uma leitura que aconselho vivamente, sobretudo para quem gosta de tramas familiares e reflexões humanas.






