sexta-feira, 29 de março de 2019

Projeto 1001 livros - O som e a Fúria

 
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     Ler clássicos é sempre desafiante mas O Som e a Fúria é um daqueles livros que o desafio torna-se ainda maior. Acho importante para quem queira ler esta obra faça uma pesquisa do seu enquadramento histórico pois vai ajudar imenso a compreendê-lo. Felizmente o livro vem com um epílogo que nos ajuda a contextualizarmos a história antes de o lermos, mesmo assim acho que terei que fazer uma releitura para absorver a mensagem do Faulkner.
     Este romance fala-nos sobre a decadência dos Compson, uma família tradicional sulista americana que vive no período da Grande Depressão e que sofre as consequências das alterações económicas, políticas e sociais vivida nos Estados Unidos da América num contexto pós primeira guerra mundial. A filha Caddy é a protagonista uma vez que toda a trama se desenrola à sua volta, apesar da história ser contada por outras quatro personagens. A primeira parte é narrada pelo irmão mais novo Benji que tem um atraso mental. De seguida a narrativa é feita pelo irmão mais velho, Quentin, que foi estudar para Universidade de Harvard às custas de um grande sacrifício financeiro dos pais e que por fim acaba por se suicidar. O terceiro narrador é o outro irmão, o Jason, uma pessoa vil, egoísta e recalcada que acaba mais tarde por assumir o papel de dono da casa. A última narrativa é feita pela empregada negra, Dilsey Gibson, sendo que ela e a sua família representa os afro-americanos após um regime pós-escravatura. 
     Foi uma leitura difícil mas muito interessante, é um livro completamente diferente do que tenho lido. A narrativa é construída através do subconsciente dos personagens sendo que cada capítulo corresponde a fluxos de consciência dos diferentes narradores. O discurso é feito em função de uma linha de pensamento que muitas das vezes não é coerente na altura em que lemos mas que no final do livro acaba tudo por fazer sentido. A própria construção do livro é feita de forma muito inteligente, é uma narrativa cíclica, feito de forma a começarmos a ler novamente mal se termine o livro. Só tenho pena de o autor não ter optado por dedicar um capítulo à Caddy, seria interessante percebermos o que a leva a ter determinados comportamentos e analisarmos os seus sentimentos.
Uma leitura que aconselho vivamente, sobretudo para quem gosta de tramas familiares e reflexões humanas.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Balanço de 2018 e Leituras para 2019


O ano de 2018 foi para mim uma nova fase na vida, onde tentei ajustar a minha vida familiar e o profissional com projetos pessoais, dentro dos quais se insere a leitura. Depois de ter sido mãe deixei de ler quase por completo e senti a falta da literatura na minha vida. Quanto tive a minha segunda filha achei que tinha que mudar as minhas rotinas para que pudesse despender mais tempo para as coisas que gosto de fazer e dedicar mais tempo para mim. Em 2018 apenas consegui terminar 15 livros, desde março, oque não foi mau de todo mas podia ter lido mais. A quantidade não interessa mas para 2019 gostaria de ler pelo menos o dobro uma vez que a minha lista de leituras está a aumentar substancialmente.







Vou tentar participar em diferentes desafios, embora saiba que o meu tempo é bastante limitado:

- lusiteratura do blog e booktube O prazer das coisas, que consiste em ler mais livros de autores portugueses ao longo do ano;

- Desafio de leitura Manta de Histórias 2019, do blog Manta de Histórias;

- Para dar um avanço no meu projeto a volta ao mundo com a literatura, aderi ainda ao desafio viaggiando 2019, uma booktuber brasileira que costumo acompanhar.

- Juntei-me ainda no Goodreads ao grupo Read long na tentativa de tentar interagir mais com outras pessoas que possuem o mesmo interesse que eu pela leitura. Vou continuar a acompanhar o Clube dos Clássicos Vivos criado pela Cláudia da mulher que ama livros.


Pretendo ainda:

- Continuar o projeto dos 1001 livros a ler antes de morrer;
- Ler mais mulheres, principalmente sobre assuntos que abordem a temática do feminismo;
- Ler mais sobre assuntos da atualidade e novidades. Como leio mais clássicos acabo por não ler autores contemporâneos;
- Ler mais livros que falem sobre experiências de guerras que não sejam a Segunda Guerra Mundial ou crises políticas de um dado país;
- Direcionar mais os livros do projeto A Volta ao Mundo com a Literatura, de forma a que estes contenham factos histórico, culturais e políticos sobre esse mesmo país;
- Ler em 2019 a pilha de livros da foto;
- Tentar atualizar mais vezes o blog.

Posto isto, tenho ainda um grande trabalho de pesquisa pela frente e conto convosco para me ajudarem em algumas sugestões, caso tenham lido livros nestes âmbitos. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Maratona Literária Livropólio


















Como forma aumentar e diversificar as minhas leituras e de pegar tenho tentado participar em diferentes desafio. Aqui está outro, um género de monopólio da Literatura que se encontra no facebook. O desafio iniciou-se a 5 de Outubro de 2018 e termina a 14 de Fevereiro de 2019. Aqui está a minha lista de possíveis leituras:

Casa 1 – Contos - Eça de Queirós
Casa 2 - Aceito sugestões, de preferência um livro de um autor contemporâneo Português por causa do desfio Livrada

Casa 3 – O Mandarim, Eça de Queirós - lido

Casa 4 – Clássicos: O som e a fúria, William Faulkner - lido

Casa 5 – O médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson - lido

Casa 6 – O Rouxinol - Kristin Hannah - lido

Casa 7 – Memórias de uma Gueixa - Arthur Golden

Casa 8 –Todos devemos ser feministas - Chimamanda Ngozi Adichie - lido

Casa 9 – As brumas de Avalon - A senhora da Magia - Marion Zimmer Bradley

Casa 10 – A morte de Ivan Ilitch - Lev Tolstoi

Casa 11 – Z de Zaida - lido;
               - O burrinho Cantor; - lido

Casa 12 – O tempo entre costuras - Maria Duenas

Casa 13 – Vou repetir a casa 14 por causa do desafio de ficção cientifica: O feiticeiro de Terramar - Ursula Le Guin ou a História de uma serva

Casa 14 – A mão esquerda da escuridão, Ursula Le Guin - lido

Casa 15 – O monte dos vendavais, Emily Bronte - lido

Casa 16 – O grande Gatsby - F Scott Fitzgerald

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

O médico e o monstro

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     Outubro foi o mês do Halloween sendo portanto pretexto para ler histórias de horror. Aproveitei então para ler este clássico de Robert Louis Stevenson uma vez que não seria uma leitura muito pesada já que o terror não é muito o meu género. Trata-se um romance de mistério, gótico podendo-se mesmo incluir no género de ficção cientifica.
     Quem nunca ouviu falar na tão famosa história do Dr Jekyll e Mr Hyde, citado em diferentes obras literárias para além existir uma série de adaptações cinematográficas? Por essa mesma razão não foi uma leitura muito empolgante uma vez que eu já conhecia o seu enredo, perdendo assim o impacto do suspense ao longo do decorrer da história. No entanto o romance está muito bem estruturado e apesar de pequeno encontra-se repleto de pormenores. A história é narrada por Dr. Utterson, um advogado que se encontra preocupado com o seu amigo de Dr. Jekyll, um médico bastante respeitado na zona, por travar relações com Mr. Hyde, um jovem vil e repugnante que mais tarde mostra ser um assassino. Apesar de tudo, autor conseguiu surpreender-me pelo conflito que dá origem ao livro, a dualidade de um indivíduo, ou seja, o ser humano não pode ser só boa ou má na sua essência e, por mais que queiramos, não conseguimos separar o bem do mal. Um clássico que realmente vale a pena ler. 

sábado, 3 de novembro de 2018

Leituras para Novembro




Este mês de Novembro, para além de acabar a minha releitura do clássico "Os montes dos Vendavais" da Emily Brontë, vou-me lançar ainda para a leitura do Clube dos Clássicos Vivos para Novembro/Dezembro, O Som e a Fúria do William Faulkner. Vamos ver como corre pois é uma leitura bastante ambiciosa. Também vou participar no projeto n-estórias do blog a outra Mafalda que consiste na leitura contos. Paralelamente vou-me juntar também na maratona de Sc-fi criado pela Sofia do blog e canal do youtube The daily Miacis. Para iniciar estes dois projetos vou ler o livro de contos Cair da Noite de Issac Asimov, um livro do boocrossing que encontrei na biblioteca da praia durante as minhas férias. O objetivo de participar nestes dois desafios é sair um pouco da minha zona de conforto e ler mais outras categorias e géneros, neste caso os contos e a ficção científica.

Para o Projeto da Mafalda, se conseguir ainda vou juntar mais um conto ou dois que tenha cá em casa, talvez Mia Couto ou Eça de Queirós para ver se consigo completar o desafio na totalidade (um livro pode ser utilizado para as diferentes alíneas):

1) Ler uma Antologia/livro de contos
2)Ler um conto de um autor novo para ti
3)Ler um conto do teu autor favorito
4)Ler um conto de um género que não costumas ler
5) Lê o maior número de contos que conseguires durante o mês

A Maratona da Sofia vai decorrer entre 1 de Novembro de 2018 a 31 de Janeiro de 2019. As categorias são:

- Mundo estranho (ler um livro com uma distopia)
- Perdidos no espaço (ler um livro em que um parte se passe no espaço)
- WomanPowerSyFi (ler um livro com uma personagem feminina forte)
- Crazy scientist (ler um livro com investigação cientifica/problema cientifico ou com personagens da área das ciências)


Para esta maratona estou a pensar ler ainda o "1984" de George Orwell, "O diário de uma Serva" de Margaret Atwood, "O Feiticeiro de terramar" de Úrsula LeGuin, "As 20 mil léguas submarinas" ou "Viagem ao centro da terra" de Júlio Verne. Assim também aumento o número de livros lidos da minha maratona da vida de ler a lista dos 1001 a ler antes de morrer.


Aceito sugestões dos leitores assíduos de contos e ficção Cientifica.





quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Spunik, Meu Amor

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Um jovem professor primário, identificado apenas pela inicial «K», apaixona-se por Sumire, uma jovem aspirante a escritora. Quando esta entabula uma relação amorosa com Miu, uma enigmática mulher de meia-idade que a emprega como secretária, K é relegado para o ingrato papel de confidente. Sumire, porém, estando de férias numa ilha grega com a sua amante, desaparece misteriosamente, e K é chamado para ajudar nas buscas. Um estranho triângulo que oferece uma profunda reflexão sobre a solidão, os sonhos e aspirações do indivíduo e a necessidade de os adaptar à realidade.

     Foi o primeiro livro que li de Haruki Murakami. Apesar de ter este livro na estante à anos não pegaria nele tão cedo se não tivesse três colegas de trabalho aficionados nas suas obras. E ainda bem que decidi entrar no mundo de Murakami: um verdadeiro contador de histórias, com uma escrita bonita e fluida, no entanto com reflexões um tanto complexas.
    O autor cria um triângulo entre três personagens comuns, contudo com realidades e experiências de vidas distintas: um professor primário, uma jovem que desejava ser escritora e uma empresária. Acabamos então por compreender que elas não são assim tão diferentes e que num dado momento da sua vida têm ou tiveram algo em comum: a necessidade de sonhar, o amor, a solidão e a vivência de uma dimensão desconhecida. O que mais me agradou ao longo da leitura foi a sua carga de surrealismo que sem dúvida trás beleza à sua obra, contudo é um romance que pode ser interpretado de diferentes formas.
     Fiquei um pouco desolada ao terminar o livro por não ter a certeza se compreendi a mensagem dada pelo autor, se o objetivo dele foi deixar o final em aberto ou se o tradutor não conseguiu transpor exatamente o desfecho do livro. Foi sem dúvida foi uma leitora muito agradável e penso que merece uma releitura para que possa assimilar um pouco mais as metáforas do autor.
     Pretendo ainda ler algo mais do autor. E vocês já conhecem o Haruki Murakami? Tem alguma sugestão de alguma obra que vos interessou particularmente?

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

A Filha da Floresta


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Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era Lei e a magia uma força da natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, e dos seus seis irmãos.

O domínio Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e Criaturas Encantadas que deslizam pelos bosques vestidos de cinzento e mantêm as armas afiadas. O maior perigo para este idílio vem de dentro: Lady Oonagh, uma feiticeira, que casou com o pai de Sorcha, senhor de Sevenwaters. Frustrada por conseguir encantar todos menos a enteada, Oonagh lança um poderoso feitiço sobre os irmãos da rapariga, que só Sorcha poderá conseguir quebrar. Porém, a meio da pesada tarefa de libertar os irmãos, Sorcha é raptada por um grupo de salteadores, e ver-se-á dividida entre o dever de salvar a vida dos irmãos e um amor cada vez maior, proibido, pelo senhor da guerra que a capturou.



     Nunca fui uma leitora de fantasia pois os livros que comprava eram preferencialmente de outros estilos. Li grande parte dos livros do Harry Potter quando era mais nova e adorei mas nunca procurei este tipo de literatura. No entanto, com a criação deste blog fui saindo um pouco da minha zona de conforto e descobri outros horizontes. Relativamente à fantasia confesso que comprei alguns mas foram poucos os que realmente li. Este livro é um caso destes, encontrava-se na minha estante à uns anos porque o encontrei em promoção na feira do livro e por ter lido imensas opiniões positivas dos blogs que acompanhava.
     Surgiu então a oportunidade de ler Juliet Maurilier num grupo do Goodreads com a volta ao mundo em livros, onde o país selecionado foi a Nova Zelândia. E digo-vos que tenho pena de não ter lido este livro mais cedo porque simplesmente adorei. A Filha da floresta é o primeiro livro da triologia sevenwaters. Trata-se de um romance celta repleto de lendas,  misticismo e fenómenos sobrenaturais. Uma história que trás na sua essência os laços da família, o sacrifício, o companheirismo, a amizade e o amor. A escrita de Juliet Maurilier é envolvente, deslumbrante e acolhedora, um pouco à imagem das histórias encantadas que ouvia quando era criança. Não vou falar muito mais deste livro, primeiro porque as pessoas fãs de fantasia já o leram com toda a certeza e também porque é difícil falar sobre este livro sem spoilers. Aconselho a leitura para quem gosta de literatura fantástica com romance à mistura. Entrou sem dúvida na lista dos meus livros favoritos e assim que tenha possibilidade vou ler o resto desta saga e mais livros da autora.

O Rouxinol

  " Se houve alguma coisa que aprendi durante esta minha longa vida, é isto: no amor descobrimos quem queremos ser; na guerra ...