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terça-feira, 5 de junho de 2012

A Varanda do Frangipani

Autor: Mia Couto
Editora: Editorial Caminho
N.º Páginas: 158
Categoria: Romance








Sinopse:

Mia Couto nasceu na Beira, Moçambique, em 1955.
Foi jornalista. É professor, biólogo, escritor. Está traduzido em diversas línguas. Entre outros prémios e distinções (de que se destaca a nomeação de Terra Sonâmbula como um dos doze melhores livros africanos do século XX) foi galardoado, pelo conjunto da sua obra, com o Prémio União Latina de Literaturas Românticas 2007 e com o Prémio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura pelo romance O Outro Pé da Sereia.

«Nessa manhã, eu saí do corpo de Izidine Naíta. Restreava assim minha própria matéria no mundo, fantasma visível só pela frente. A luz imensa me invadiu assim que me descorpei do polícia. Primeiro, tudo cintilou em milibrilhos. A claridade, aos poucos, se educou. Olhei o mundo, tudo em volta se inaugurava. E murmurei, com a voz já encharcada:
- É a terra, minha terra!
Mesmo assim, pávida e poeirenta, ela me surgia como o único lugar do mundo. Meu coração, afinal, não tinha sido enterrado. Estava ali, sempre esteve ali, reflorindo no frangipani. Toquei a árvore, colhi a flor, aspirei o perfume.»

Opinião:
    A Varanda do Frangipani conta a história de um morto, Ermelindo Mucanga, que foi enterrado em S. Nicolau sem cerimónia e aos rituais tradicionais moçambicanos o que fez com que ficasse num estado de xipoco (fantasma) e consequentemente a sua alma a ficou a vaguear perto da sua campa, por baixo de um frangipani. Aconselhando-se então com o pangolim, um animal que os moçambicanos acreditam trazer mensagens dos céus, chegou à conclusão que para que podesse atingir o seu estado de Xicuembo (defunto definitivo) teria que remorrer. Ermelindo Mucanga reencarnou então no corpo de um inspector da polícia, Izidine Naíta, que se deslocava para a fortaleza de S. Nicolau afim de investigar o assassinato de Vasco Excelêncio, o responsável de um asilo de velhos.
    É sempre agradável ler Mia Couto pela sua escrita simples mas simultaneamente mágica e poética. Esta prosa encontra-se repleta de descrições sobre os costumes, tradições e crenças dos moçambicanos, recontadas pelas próprias personagens ao longo da narrativa.
 É um pequeno livro mas que trás algumas mensagens interessantes, escritas de forma suptil e que se vão assimilando gradualmente. Um exemplo disso é o próprio título que se trata de uma metáfora e que só compreendi após terminar o livro e reflectir um pouco sobre o assunto. São focadas algumas marcas ainda existentes após a guerra colonial, o tráfico ilegal de armas utilizadas durante a guerra, e algumas preocupações inerentes ao desenvolvimento de um novo Moçambique que com a inovação tende-se a esquecer algumas tradições e valores ainda preservadas na fortaleza. 
 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Contos do Nascer da Terra

Autor: Mia Couto
Editora: Caminho
Colecção: Outras Margens: Autores estrangeiros de lingua portuguesa
N.º Páginas: 245
ISBN: 9789722111294
Categoria: Contos













Sinopse:
Era uma vez uma menina que pediu ao pai que fosse apanhar a lua para ela. O pai meteu-se num barco e remou para longe. Quando chegou à dobra do horizonte pôs-se em bicos de sonhos para alcançar as alturas. Segurou o astro com as duas mãos, com mil cuidados. O planeta era leve como uma baloa. «Quando ele puxou para arrancar aquele fruto do céu se escutou um rebentamundo. A lua se cintilhaçou em mil estrelinhações. O mar se encrispou, o barco se afundou, engolido num abismo. A praia se cobriu de prata, flocos de luar cobriram o areal. A menina se pôs a andar ao contrário em todas as direcções, para lá e para além, recolhendo os pedaços lunares.

Opinião:
Ofereceram-me este livro quando tinha cerca de 14 anos e lembro-me que naquela altura não li mais que dois contos pois não consegui perceber o seu contexto.  Resolvi pegar nele novamente por ouvir falar tão bem do autor e ainda bem que o fiz. Fiquei simplesmente deslumbrada. Este livro reúne pequenos contos que, tal como diz o título, são alusivos à "Terra" em que muitos deles falam de alguns momentos reais dramáticos, como a morte, a solidão, a doença e a miséria vividos pelos Moçambicanos. No entanto Mia Couto fala deles com uma suptileza que não imaginei que fosse possível. 

Mas muitas das vezes tive a sensação que o mais importante não era o conteúdo da mensagem e sim a forma como estas pequenas histórias eram contadas. Durante a leitura senti-me novamente criança, quando ouvia histórias de encantar, havendo momentos verdadeiramente poéticos. A escrita de Mia Couto é bastante harmoniosa, apaixonante, repleta de metáforas e parábolas. Mas a sua característica principal como escritor penso que é o facto de ele inventar palavras e expressões, tornando o seu estilo bastante inovador.

Adorei este livro e recomendo para aqueles que não procurem verdadeiramente uma história mas que queiram desfrutar de uma leitura poética muito ligada à mãe natureza.

5 - Adorei

Maratona Literária Livropólio

Como forma aumentar e diversificar as minhas leituras e de pegar tenho tentado participar em diferentes...