Mostrar mensagens com a etiqueta Público. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Público. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O Deus das Pequenas Coisas

Autor: Arundhati Roy
Editora: Público
Colecção: Mil Folhas
Nº Páginas: 349
ISBN: 8406200736
Categoria: Romance













Sinopse:
O Deus das Pequenas Coisas, primeiro romance de Arundhati Roy, decorre durante os anos 60 na região de Kerala, no sul da Índia. A história começa com o funeral da menina inglesa Sophie Moll, prima dos protagonistas, os gémeos Rahel e Estha. Este acontecimento trágico serve de ponto de partida para uma narrativa onde Arundhati Roy nos apresenta uma apaixonante saga familiar, que decorre numa época conturbada na qual tudo pode modificar-se, num tempo e num país cujas essências parecem eternas. Um romance com uma escrita sensual, um estilo e um vislumbre do interior da natureza humana. A história política da Índia, com os seus tabus sociais que se fundem com o relato mágico acerca das grandezas e misérias da natureza humana. Um festim literário admiravelmente concebido e magistralmente narrado.

Opinião:
"O Deus das Pequenas Coisas" fala-nos de uma família Indiana ao longo de três gerações: os gémeos Estha e Rahel, a sua mãe Ammu, o tio Chacko, a avó Mammachi e a tia-avó Baby Kochamma. A narrativa desenrola-se principalmente em Kerala e em volta da trágica morte da prima dos gémeos, a Sophie Mol.

Paralelamente, a autora remete-nos para alguns problemas políticos, sociais e religiosos que ocorreram na região de Kerala na década de 60, época marcada pelas revoluções marxistas que contestavam alguns valores tradicionais bem como a exploração dos operários. É também visível a marginalização das pessoas pertencentes à casta mais baixa da India, os Párias, e nos condicionalismos a que a mulher indiana era sujeita. Mostra-nos ainda um pouco da expressão do Cristianismo na região de Kerala.

Gostei muito do livro e da escrita de Arundhati Roy. As descrições são ricas de metáforas e feitas com muita sensualidade. Fala-nos da Natureza de uma forma apaixonante, sendo impressionante a valorização que a autora dá às coisas mais simples.

Mas quem é esse “Deus das Pequenas Coisas”? “O deus das pequenas coisas é a inversão de Deus. Deus é uma coisa grande e está sempre em controlo. O deus das pequenas coisas pode ser a forma como as crianças vêem as coisas ou a vida dos insectos nos livros, os peixes ou as estrelas – é um não-aceitar do que pensamos ser as fronteiras dos adultos” (Arundhati Roy, retirado no Jornal Público).

O que não me agradou tanto foi a forma como a autora expôs a narrativa, andava sempre para trás e para a frente. Gosto de pegar num livro e saber onde procurar algumas partes da história mas com ela não é possível porque o mesmo momento da história é descrita ao longo do livro várias vezes, embora numa perpectiva um pouco diferente. Mas, de uma forma geral, foi uma excelente leitura. Aconselho vivamente.

Classificação: 4 - Gostei Muito

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O Ano da Morte De Ricardo Reis

Autor: José Saramago
Editora: Público
Colecção: Mil Folhas
N.º Páginas: 351
ISBN: 8481304964
Categoria: Romance













Sinopse:
O Protagonista da história é Ricardo Reis, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, que desembarca em Lisboa em 1936, vindo do Brasil, onde se havia refugiado por motivos políticos. Reis é médico, abre um consultório para tentar a sua reinserção na sociedade, frequenta duas senhoras, Um filho nascerá após a sua morte, que ocorrerá em 1936. Este Trágico ano é o verdadeiro protagonista do livro. É o ano em que ocorrem factos terríveis: as camisas verdes dos salazaristas aliam-se às camisas negras, castanhas, azuis dos fascistas, nazis e falangistas. Grassa a guerra da Etiópia. Uma revolta militar conduz Espanha à guerra civil. O personagem Ricardo Reis, espectador e testemunha destes graves acontecimentos, consegue, através da extraordinária capacidade de efabulação de Saramago, prender o leitor e transportá-lo ao clima sombrio daquela época.

Opinião:
Adiei muito a leitura dos livros de José Saramago. Comecei a ler "O Memorial do Convento" e "O Cerco de Lisboa" mas, como a escrita dele não me agradava, acabei por abandonar estas leituras. Insistiram tanto para eu ler "O Ano da Morte de Ricardo Reis" que decidi ultrapassar este meu preconceito relativamente à sua escrita e ler o livro. Ainda bem que o fiz pois é um livro excepcional. Não é à toa que Saramago ganhou o prémio nobel.

A história inicia-se com a chegada de Ricardo Reis a Lisboa, um dos heterónimos de Fernando Pessoa. Reis é médico e poeta que exerceu medicina no Brasil durante 16 anos. Instala-se então no Hotel Bragança, em Lisboa, onde conhece duas senhoras: A criada Lídia, companhia das suas noites, e Marcenda, uma dama distinta de Coimbra que mensalmente vem a Lisboa com seu pai, fazer tratamentos médicos na tentativa de recuperar a paralesia da sua mão esquerda. Também recebe algumas visitas regulares do seu amigo Fernando Pessoa, falecido um mês antes do seu regresso a Portugal.

Ao mesmo tempo que se desenrola o Romance, decorrem momentos políticos importantes que marcaram o ano de 1936, ou seja, o desenvolvimento do fascismo na Europa e a união dos regimes fascistas dos diferentes países, com vista a combater o comunismo. Em Espanha ocorre a subida do regime de Esquerda no governo que desencadeia a revolta militar pelo movimento fascista e, consequentemente, a guerra civil. Termina a guerra da Etiópia em que a Itália sai vencedora. Em Portugal, é criada a Mocidade Portuguesa para preparar alguns jovens na governação do país no futuro e é criada a Legião Portuguesa (camisas verdes) em defesa do Estado Novo contra os Comunistas e as pessoas que tomem posições divergentes do regime.

Um dos melhores livros que li até hoje. Saramago é realmente um génio da literatura. É fabuloso como ele recria uma história com uma personagem criada por uma outra pessoa e como pega na poesia de Ricardo Reis, enquadrando-a no momento em que decorre acção seja esta um envolvimento amoroso ou um acontecimento político.

Gostei imenso do roteiro feito ao longo do romance, onde o protagonista passeia por Lisboa. Pode-se destacar alguns locais como: a rua do Alecrim, onde ficou hospedado no Hotel Bragança; o Rossio e o Teatro D. Maria; o Alto de Santa Catarina onde se encontra a estátua de Adamastor;  a rua de Camões com a estátua de Luís de Camões.

Um livro que claramente superou as minhas expectativas!

Classificação: 6 - Favoritos

Maratona Literária Livropólio

Como forma aumentar e diversificar as minhas leituras e de pegar tenho tentado participar em diferentes...