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quarta-feira, 13 de março de 2013

Jangada de Pedra


 
   A Jangada de Pedra é uma história mais direccionada para o fantástico. José Saramago recria um romance tendo como base uma catástrofe natural que leva à separação da Península Ibérica do resto da Europa. Entre toda a fronteira de Espanha e França abriu-se uma fenda transformando a península numa ilha, ou, melhor dizendo, numa "Jangada de Pedra" que leva os ibéricos numa jornada pelo Atlântico.
   Mas ao mesmo tempo que ocorre esta separação geológica outros acontecimentos insólitos acontecem: Joaquim Sassa, que vive no porto atira uma pedra pesadíssima ao mar que é projectada a uma distância e velocidade impossíveis para a força que possui; José Anaiço, um ribatejano que atrai um bando de estorninhos, sendo acompanhado por estes aonde quer que vá; Pedro Orce, um espanhol que sente a terra a tremer constantemente; Joana Carda, de Aveiro, que com uma vara de negrilho traçou no chão um risco que não se apaga e desencadeou o ladrar dos cães de Cerèbere que não se ouviam à decadas; e por fim Maria Guavaira, uma espanhola da Galiza que ao desmanchar uma meia velha, em vez de um punhado obteve uma montanha de lã.  Estes cinco personagens mais um cão cuja participação na história não é menos importante, encontram-se e decidem viajar à antiga fronteira dos Pirenéus, onde tudo teve origem. 
   Paralelamente a estas duas viagens, José Saramago mostra-nos uma perspectiva das consequências que poderiam ocorrer a nível económico, político e social no decorrer das alterações ocorridas, nomeadamente a separação da península com o resto da Europa, uma possivel colisão de Portugal e Galiza com os Açores e a aproximação com os Estados Unidos da America e Canadá.
   E o que posso dizer deste livro? Gostei mas não adorei. Este foi o segundo romance que li de Saramago e confesso que gostei bastante mais do primeiro, O Ano da morte de Ricardo Reis que se encontra entre os meus favoritos. Talvez tenha ido com grandes expectativas pois dois amigos meus já tinham falado muito bem dele. Antes de iniciar a leitura sabia apenas que se tratava de uma narrativa sobre separação da Peninsula Ibérica e que esta seguiria uma viagem através do oceano. Talvez estava à espera de uma abordagem diferente, com um pouco de mais acção acabando por achar a narrativa muito lenta e as personagens pouco aprofundadas. Mas como não podia deixar de ser, a escrita de Saramago é sempre de grande qualidade e aqui mostrou mais uma vez a sua genialidade pelo conceito do livro e pela forma como a narrativa é construída.
   Desconhecia completamente que esta história deu origem a uma adaptação cinematográfica e que têm no seu enredo dois actores portugueses, o Diogo Infante e a Ana Padrão. Ainda não o vi mas deixo-vos o trailer:


   Vou dar um tempo à leitura dos seus livros pois as suas histórias merecem ser lidas com alguma calma e disponibilidade. No entanto, o meu pai ofereceu-me Memorial do Convento e deve estar à espera de um feedback pelo que não vai ficar muito tempo na prateleira. Já leram? Qual a vossa opinião?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Capitães da Areia



Sinopse:
Capitães da Areia é o livro de Jorge Amado mais vendido no mundo inteiro.
Publicado em 1937, teve a sua primeira edição apreendida e queimada em praça pública pelas autoridades do Estado Novo. Em 1944 conheceu nova edição e desde então sucederam-se as edições nacionais e estrangeiras, e as adaptações para a rádio, televisão e cinema.
Jorge Amado descreve, em páginas carregadas de grande beleza, dramatismo e lirismo poucas vezes igualados na literatura universal, a vida dos meninos abandonados nas ruas de São Salvador da Bahia
.
Opinião:
"Porque o que faz a criança é o ambiente de casa, pai, mãe, nenhuma responsabilidade. Nunca eles tiveram pai e mãe na vida da rua. E tiveram sempre que cuidar de si mesmos, foram sempre os responsáveis pos si. Tinham sido sempre iguais a homens." E estas palavras de Jorge Amado não são mais que a descrição de um grupo de crianças que vive na rua, sem um tecto para dormir, sem uma família que lhes dê amor e orientação para a vida e ignoradas e discriminadas pela sociedade. Este grupo de crianças que neste romance são conhecidas como os capitães da areia, sobrevivem um dia de cada vez arranjando o que comer e vestir através da única via que sabem, furtando e roubando. Jorge Amado não esconde neste livro a sua posição comunista, e mostra que a marginalização destas crianças são fruto de uma sociedade capitalista, não sendo dadas oportunidades aos pobres e desfavorecidos para que possam melhorar as suas condições de vida. Para estas crianças orfãs o futuro que lhes espera são os orfanatos/reformatórios onde são vítimas de maus tratos ou viver na rua em grupos sendo que em adultos a grande maioria torna-se marginais ou, para algumas pequenas excepções, conseguem dar a volta e terem uma vida decente, ou porque tiveram sorte na vida ou porque tem alguma aptidão especial.
Sabia do que se tratava a história no entanto foi um livro que me chocou em algumas ocasiões pela dureza das descrições do autor. Não me admira que na altura em que foi editado a sua publicação tenha sido apreendida pelo dramatismo e intensidade da história, que poderia ser a de qualquer menino de rua da Bahia. No entanto tem momentos bastante tocantes, sobretudo quando se vê o companheirismo e lealdade existente entre os meninos. Uma leitura que aconselho para quem gosta de uma história mais realista, dura e marcante!


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

As Serviçais



Sinopse:
Skeeter tem vinte e dois anos e acabou de regressar da universidade a Jackson, Mississippi. Mas estamos em 1962, e a sua mãe só irá descansar quando a filha tiver uma aliança no dedo.
Aibileen é uma criada negra, uma mulher sábia que viu crescer dezassete crianças. Quando o seu próprio filho morre num acidente, algo se quebra dentro dela. Minny, a melhor amiga de Aibileen, é provavelmente a mulher com a língua mais afiada do Mississippi. Cozinha divinamente, mas tem sérias dificuldades em manter o emprego… até ao momento em que encontra uma senhora nova na cidade.
Estas três personagens extraordinárias irão cruzar-se e iniciar um projecto que mudará a sua cidade e as vidas de todas as mulheres, criadas e senhoras, que habitam Jackson. São as suas vozes que nos contam esta história inesquecível cheia de humor, esperança e tristeza.
Uma história que conquistou a América e está a conquistar o mundo.

Opinião:
    As serviçais é um livro sobre a vida das criadas negras em Jackson, no Mississipi, na década de 60 quando os direitos civis, sociais e humanos dos negros não eram tidos em conta. São três as personagens centrais, duas criadas negras, a Aibileen e a Minny com experiências de vida um pouco diferentes mas ambas descriminadas e humilhadas pelas suas patroas, e Skeeter uma futura escritora que, quando volta da universidade descobre que Constantine, a criada negra que a criou, já não trabalha na casa dos pais e fica sem perceber o que se passou realmente.
    Skeeter não se conforma como os negros são tratados na sua cidade, principalmente por algumas patroas brancas suas amigas e elabora um plano para dar voz às criadas negras de Jackson, dando-lhes a possibilidade de mostrar como são realmente tratadas. Estas três personagens acabam por se juntar e elaborar secretamente um projecto extremamente ambicioso e perigoso que vai alterar o rumo das suas vidas e de algumas pessoas em Jackson.
    Adorei ler este livro. Apesar da temática ser o racismo é sobretudo uma história de coragem e activismo. A sua escrita é bastante simples e fluida no entanto a autora consegue-nos transmitir uma grande ambivalência de sentimentos através das personagens, principalmente a partir da Aibileen, da Minny e da Skeeter já que são as narradoras desta história. Dei por mim a ler compulsivamente o livro para descobrir o seu final.
   Fico contente por ter lido este ano o Por favor, não matem a cotovia uma vez que é mencionado neste livro. O tema é o mesmo apesar de ser abordado de uma forma um pouco diferente. Com estas duas obras pude ver o peso que a problemática do racismo tinha nos Estados Unidos à uns anos atrás. Aconselho a leitura, principalmente para que aprecia este tipo de temas.

Citações:
"- Oh, Hilly, devias usar a casa de banho dos hóspedes(...)A Aibileen só limpa nas traseiras depois do almoço.(...)
- Mas a casa de banho dos hóspedes é onde vão as criadas - diz a senhora Hilly.
- Estás chateada porque a negra usa a casa de banho interior e nós também. (...)
- Elizabeth, se pudesses escolher, não preferias que fizessem o que têm a fazer lá fora?(...)
- Não sei - responde a senhora Leefolt (...)
- Só tens de dizer ao Raleigh que cada cêntimo gasto nessa casa de banho será recuperado quando venderem a casa. - (...) - E essas casas todas que estão a construir agora, sem aposentos para criados? É demasiado perigoso. Toda a gente sabe que eles têm doenças diferenças das nossas. (...)
- Seria bom. - Admite a senhora Leefolt, dando um pequeno trago no cigarro - que ela não usasse a de casa. (...)
 - Foi exatamente por essa razão que planeei a Iniciativa Sanitária do Pessoal Doméstico. Como uma medida de prevenção de doenças. (...)
- Um decreto exigindo que em todas as casas brancas haja uma casa de banho separada para os criados negros.(...)"

Também vi o filme mas, apesar de se basear no livro, existem algumas diferenças. Apesar de ter gostado achei o livro muito mais interessante.


domingo, 19 de agosto de 2012

Orgulho e Preconceito



Sinopse:
Elizabeth Bennet, uma das cinco filhas de uma família da classe média rural, conhece Fitzwilliam Darcy, membro da alta sociedade mas de um orgulho desmesurado. As tensões aparecem rapidamente, alternando sensivelmente o idílico e pacífico mundo rural inglês, que se revela como uma sociedade rígida, em que abundam os preconceitos e na qual nem tudo é aquilo que parece.

"Orgulho e Preconceito" é o mais famoso dos romances de Jane Austen, que ganhou um lugar entre os autores mais lidos pelo grande público e entre os clássicos apreciados pelos académicos, pelo seu profundo conhecimento dos mecanismos que regem as relações humanas, bem como pela ironia com que dota os seus romances.

Opinião:
    Esta obra é uma das minhas favoritas desde sempre. Já tinha lido este livro mas deu-me vontade de voltar a pegar nele.  Um romance que decorre na década XIX e que retrata a sociedade e os hábitos daquela época. A personagem central da história é a Elizabeth, uma das cinco filhas da família Bennet, pertencente à classe média. Ela  e as suas irmãs são apresentadas à alta sociedade através de uma festa onde conhece o Sr. Darcy um dos homens mais ricos de Londres mas conhecido pelo seu carácter rude e orgulhoso, não ficando muito bem visto aos olhos da protagonista.
    Elizabeth é caracterizada como uma personagem um pouco diferente das mulheres em geral, com uma visão e valores muito próprios. Através dela podemos assistir algumas críticas sociais, sobretudo no que diz respeito ao coquetismo, preconceitos de classes, cinismo e jogos de interesses. Apresenta um carácter bastante forte recusando mesmo boas propostas de casamento por não sentir amor, mesmo ciente de que poderia acabar o resto da sua vida solteira e continuar a ser um encargo para os seus pais.
    Mas, mesmo Elizabeth sendo tão correcta e sensata, com o desenrolar de alguns acontecimentos apercebe-se que as aparências por vezes iludem e que as coisas nem sempre são o que parecem. É então que se dá conta de que alguns julgamentos feitos por si não corresponde de facto à realidade, incluindo as suas impressões acerca do Sr. Darcy...
    Não consigo de todo mostrar a grandiosidade deste clássico e o impacto que a sua leitura teve em mim. É um livro absolutamente magnífico pela sua escrita, pelas descrições dos costumes da época, pela crítica e ironia mas sobretudo pela linda história entre Elizabeth e Darcy. E, apesar de já ter sido escrito à muitos anos acho bastante actual, podendo perfeitamente descrever, em aguns aspectos a sociedade dos dias de hoje, como por exemplo a futilidade instalada no quotidiano e aos juizos de  valor pré-concebidos.
    Também vi o filme que achei bastante fiel ao livro e a Elizabeth é uma das minhas actrizes preferidas, Keira Knightley. É excelente, principalmente a cena final!




terça-feira, 5 de junho de 2012

A Varanda do Frangipani

Autor: Mia Couto
Editora: Editorial Caminho
N.º Páginas: 158
Categoria: Romance








Sinopse:

Mia Couto nasceu na Beira, Moçambique, em 1955.
Foi jornalista. É professor, biólogo, escritor. Está traduzido em diversas línguas. Entre outros prémios e distinções (de que se destaca a nomeação de Terra Sonâmbula como um dos doze melhores livros africanos do século XX) foi galardoado, pelo conjunto da sua obra, com o Prémio União Latina de Literaturas Românticas 2007 e com o Prémio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura pelo romance O Outro Pé da Sereia.

«Nessa manhã, eu saí do corpo de Izidine Naíta. Restreava assim minha própria matéria no mundo, fantasma visível só pela frente. A luz imensa me invadiu assim que me descorpei do polícia. Primeiro, tudo cintilou em milibrilhos. A claridade, aos poucos, se educou. Olhei o mundo, tudo em volta se inaugurava. E murmurei, com a voz já encharcada:
- É a terra, minha terra!
Mesmo assim, pávida e poeirenta, ela me surgia como o único lugar do mundo. Meu coração, afinal, não tinha sido enterrado. Estava ali, sempre esteve ali, reflorindo no frangipani. Toquei a árvore, colhi a flor, aspirei o perfume.»

Opinião:
    A Varanda do Frangipani conta a história de um morto, Ermelindo Mucanga, que foi enterrado em S. Nicolau sem cerimónia e aos rituais tradicionais moçambicanos o que fez com que ficasse num estado de xipoco (fantasma) e consequentemente a sua alma a ficou a vaguear perto da sua campa, por baixo de um frangipani. Aconselhando-se então com o pangolim, um animal que os moçambicanos acreditam trazer mensagens dos céus, chegou à conclusão que para que podesse atingir o seu estado de Xicuembo (defunto definitivo) teria que remorrer. Ermelindo Mucanga reencarnou então no corpo de um inspector da polícia, Izidine Naíta, que se deslocava para a fortaleza de S. Nicolau afim de investigar o assassinato de Vasco Excelêncio, o responsável de um asilo de velhos.
    É sempre agradável ler Mia Couto pela sua escrita simples mas simultaneamente mágica e poética. Esta prosa encontra-se repleta de descrições sobre os costumes, tradições e crenças dos moçambicanos, recontadas pelas próprias personagens ao longo da narrativa.
 É um pequeno livro mas que trás algumas mensagens interessantes, escritas de forma suptil e que se vão assimilando gradualmente. Um exemplo disso é o próprio título que se trata de uma metáfora e que só compreendi após terminar o livro e reflectir um pouco sobre o assunto. São focadas algumas marcas ainda existentes após a guerra colonial, o tráfico ilegal de armas utilizadas durante a guerra, e algumas preocupações inerentes ao desenvolvimento de um novo Moçambique que com a inovação tende-se a esquecer algumas tradições e valores ainda preservadas na fortaleza. 
 

quarta-feira, 28 de março de 2012

Não matem a cotovia


Autor: Harper Lee
Editora: Europa-América
Colecção: Livros de bolso - Grandes Obras
N.º Páginas: 273
ISBN: 9789721015500
Categoria: Clássico














Sinopse:

As cidadezinhas do Alabama seriam simples e pacatas se não sofressem de uma doença terrível: o racismo.
Um advogado defende com toda a convicção, e arrostando com ameaças e preconceitos, um negro acusado de violentar uma rapariga branca. A sua luta é contudo vã: nunca num tribunal de Alabama se dera razão a um negro contra um branco.
É uma criança que nos conta esta história. Uma criança que vai descobrindo o mundo que a rodeia e é testemunha de violências e atrocidades. A sua narrativa semi-inconsciente quase se torna a voz da adormecida consciência norte-americana
.

Opinião:

     Já estava algum tempo para ler este livro de tão bem que falam dele. Assim que o comprei foi automaticamente para o topo da minha lista de leituras. E não me arrependi de o fazê-lo. 
     Uma história contada na perspectiva de uma criança que vive numa pequena cidade dos EUA, Maycomb, em meados do século XX. Uma menina, chamada Scout que, à medida que vai crescendo, se depara com uma série de preconceitos instaurados na população de Maycomb sendo o mais grave deles o Racismo. Scout testemunha um caso de um indivíduo respeitável acusado e condenado injustamente em tribunal apenas por ser negro. E ela e o seu irmão acabam por ser de certa forma discriminados por o seu pai Actticus, advogado, ter aceite defender o negro.
     Um livro que nos mostra até que ponto o ser o humano é capaz de atitudes de injustiça e descriminação mesmo sabendo que não estão a ser justos. No entanto, transversalmente, através da personagem de Atticus, faz-nos vez que há pessoas altruistas que se preocupam e se esforçam para tornar este mundo um pouco melhor apesar de terem consciência que possivelmente nada vão conseguir mudar, pelo menos no presente.  
     Para mim o ponto alto do livro é precisamente a capacidade da autora se colocar sob o ponto de vista de uma criança e contar esta história de uma forma simples mas que nos prende à narrativa. Harper Lee faz-nos ver que há coisas que muitos adultos acabam por perder com o avançar idade como a capacidade de se colocar no lugar do próximo, mesmo que seja de outra raça, ou simplesmente questionarmo-nos sobre o que nos rodeia. Deixa-nos também a pensar como é que uma cidade inteira não consegue compreender um problema simples como racismo quando uma criança de 9 anos percebe a dimensão desta questão:

- Miss Gates é uma boa senhora, não é?
- Com certeza...- disse Jem - Eu gostava dela, quando andava na sua aula.
- Ela odeia Hitler, a valer ...
- Que mal há nisso?
- Bem, ela exaltou-se toda, hoje, a respeito de ser mau ele tratar assim os judeus. Jem, não há direito de perseguir ninguém, pois não? Quero eu dizer: mesmo ter maus pensamentos a respeito de alguém; é assim?
- Com certeza que não há direito, Scout. que tens tu?
- Bem, ao sair do tribunal, naquela noite, Miss Gates estava... ela vinha a descer os degraus à nossa frente, não deves ter visto... ela estava a falar com Miss Stephanie Crawford. Ouvi-a dizer: «É tempo de que alguém lhes dê uma lição, eles (os negros) estão a exceder-se, e não tarda aí que pensem em casar connosco.» Jem, como é que alguém pode odiar tanto Hitler e, depois, voltar-se e ser mau para as pessoas da sua própria terra?...

Aconselho sem dúvida nenhuma a leitura deste livro, no entanto esta edição deixa um pouco a desejar por ser um livro de bolso com letras muito miúdas e pela qualidade da tradução e revisão do texto.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O Deus das Pequenas Coisas

Autor: Arundhati Roy
Editora: Público
Colecção: Mil Folhas
Nº Páginas: 349
ISBN: 8406200736
Categoria: Romance













Sinopse:
O Deus das Pequenas Coisas, primeiro romance de Arundhati Roy, decorre durante os anos 60 na região de Kerala, no sul da Índia. A história começa com o funeral da menina inglesa Sophie Moll, prima dos protagonistas, os gémeos Rahel e Estha. Este acontecimento trágico serve de ponto de partida para uma narrativa onde Arundhati Roy nos apresenta uma apaixonante saga familiar, que decorre numa época conturbada na qual tudo pode modificar-se, num tempo e num país cujas essências parecem eternas. Um romance com uma escrita sensual, um estilo e um vislumbre do interior da natureza humana. A história política da Índia, com os seus tabus sociais que se fundem com o relato mágico acerca das grandezas e misérias da natureza humana. Um festim literário admiravelmente concebido e magistralmente narrado.

Opinião:
"O Deus das Pequenas Coisas" fala-nos de uma família Indiana ao longo de três gerações: os gémeos Estha e Rahel, a sua mãe Ammu, o tio Chacko, a avó Mammachi e a tia-avó Baby Kochamma. A narrativa desenrola-se principalmente em Kerala e em volta da trágica morte da prima dos gémeos, a Sophie Mol.

Paralelamente, a autora remete-nos para alguns problemas políticos, sociais e religiosos que ocorreram na região de Kerala na década de 60, época marcada pelas revoluções marxistas que contestavam alguns valores tradicionais bem como a exploração dos operários. É também visível a marginalização das pessoas pertencentes à casta mais baixa da India, os Párias, e nos condicionalismos a que a mulher indiana era sujeita. Mostra-nos ainda um pouco da expressão do Cristianismo na região de Kerala.

Gostei muito do livro e da escrita de Arundhati Roy. As descrições são ricas de metáforas e feitas com muita sensualidade. Fala-nos da Natureza de uma forma apaixonante, sendo impressionante a valorização que a autora dá às coisas mais simples.

Mas quem é esse “Deus das Pequenas Coisas”? “O deus das pequenas coisas é a inversão de Deus. Deus é uma coisa grande e está sempre em controlo. O deus das pequenas coisas pode ser a forma como as crianças vêem as coisas ou a vida dos insectos nos livros, os peixes ou as estrelas – é um não-aceitar do que pensamos ser as fronteiras dos adultos” (Arundhati Roy, retirado no Jornal Público).

O que não me agradou tanto foi a forma como a autora expôs a narrativa, andava sempre para trás e para a frente. Gosto de pegar num livro e saber onde procurar algumas partes da história mas com ela não é possível porque o mesmo momento da história é descrita ao longo do livro várias vezes, embora numa perpectiva um pouco diferente. Mas, de uma forma geral, foi uma excelente leitura. Aconselho vivamente.

Classificação: 4 - Gostei Muito

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O Ano da Morte De Ricardo Reis

Autor: José Saramago
Editora: Público
Colecção: Mil Folhas
N.º Páginas: 351
ISBN: 8481304964
Categoria: Romance













Sinopse:
O Protagonista da história é Ricardo Reis, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, que desembarca em Lisboa em 1936, vindo do Brasil, onde se havia refugiado por motivos políticos. Reis é médico, abre um consultório para tentar a sua reinserção na sociedade, frequenta duas senhoras, Um filho nascerá após a sua morte, que ocorrerá em 1936. Este Trágico ano é o verdadeiro protagonista do livro. É o ano em que ocorrem factos terríveis: as camisas verdes dos salazaristas aliam-se às camisas negras, castanhas, azuis dos fascistas, nazis e falangistas. Grassa a guerra da Etiópia. Uma revolta militar conduz Espanha à guerra civil. O personagem Ricardo Reis, espectador e testemunha destes graves acontecimentos, consegue, através da extraordinária capacidade de efabulação de Saramago, prender o leitor e transportá-lo ao clima sombrio daquela época.

Opinião:
Adiei muito a leitura dos livros de José Saramago. Comecei a ler "O Memorial do Convento" e "O Cerco de Lisboa" mas, como a escrita dele não me agradava, acabei por abandonar estas leituras. Insistiram tanto para eu ler "O Ano da Morte de Ricardo Reis" que decidi ultrapassar este meu preconceito relativamente à sua escrita e ler o livro. Ainda bem que o fiz pois é um livro excepcional. Não é à toa que Saramago ganhou o prémio nobel.

A história inicia-se com a chegada de Ricardo Reis a Lisboa, um dos heterónimos de Fernando Pessoa. Reis é médico e poeta que exerceu medicina no Brasil durante 16 anos. Instala-se então no Hotel Bragança, em Lisboa, onde conhece duas senhoras: A criada Lídia, companhia das suas noites, e Marcenda, uma dama distinta de Coimbra que mensalmente vem a Lisboa com seu pai, fazer tratamentos médicos na tentativa de recuperar a paralesia da sua mão esquerda. Também recebe algumas visitas regulares do seu amigo Fernando Pessoa, falecido um mês antes do seu regresso a Portugal.

Ao mesmo tempo que se desenrola o Romance, decorrem momentos políticos importantes que marcaram o ano de 1936, ou seja, o desenvolvimento do fascismo na Europa e a união dos regimes fascistas dos diferentes países, com vista a combater o comunismo. Em Espanha ocorre a subida do regime de Esquerda no governo que desencadeia a revolta militar pelo movimento fascista e, consequentemente, a guerra civil. Termina a guerra da Etiópia em que a Itália sai vencedora. Em Portugal, é criada a Mocidade Portuguesa para preparar alguns jovens na governação do país no futuro e é criada a Legião Portuguesa (camisas verdes) em defesa do Estado Novo contra os Comunistas e as pessoas que tomem posições divergentes do regime.

Um dos melhores livros que li até hoje. Saramago é realmente um génio da literatura. É fabuloso como ele recria uma história com uma personagem criada por uma outra pessoa e como pega na poesia de Ricardo Reis, enquadrando-a no momento em que decorre acção seja esta um envolvimento amoroso ou um acontecimento político.

Gostei imenso do roteiro feito ao longo do romance, onde o protagonista passeia por Lisboa. Pode-se destacar alguns locais como: a rua do Alecrim, onde ficou hospedado no Hotel Bragança; o Rossio e o Teatro D. Maria; o Alto de Santa Catarina onde se encontra a estátua de Adamastor;  a rua de Camões com a estátua de Luís de Camões.

Um livro que claramente superou as minhas expectativas!

Classificação: 6 - Favoritos

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Pássaros Feridos

Autor: Colleen McCullough
Editora: Difel
Nº Páginas: 615
ISBN: 9722901133
Categoria: Romance







"Existe uma lenda acerca de um pássaro que só canta uma vez na vida, com mais suavidade que qualquer outra criatura sobre a Terra. A partir do momento em que deixa o ninho, começa a procurar um espinheiro e só descansa quando o encontra. Depois, cantando entre os galhos selvagens, empala-se no acúleo mais agudo e mais comprido. E, morrendo, sublima a própria agonia e solta um canto mais belo que o da cotovia e o do rouxinol. Um canto superlativo, cujo preço é a existência. Mas o mundo inteiro pára para ouvi-lo, e Deus sorri no céu. Pois o melhor só se adquire à custa de um grande sofrimento...Pelo menos é o que diz a lenda.”

 

E assim começa Pássaros Feridos, uma saga romântica que acompanha a família Cleary ao longo de três gerações. Fala-nos primeiro do casal Paddy e Fee que vivem na nova Zelândia com os seus seis filhos, dos quais Meggie é a única rapariga. Vivendo em grandes dificuldades, recebem um dia uma proposta da irmã de Paddy, uma viúva bastante abastada, para se mudarem para a Austrália afim de lhe ajudarem a tratar da sua vasta fazenda.

É na Austrália que os filhos dos Cleary crescem, até que Maggie e um padre amigo da família, Ralph de Bricassart, se apaixonam. No entanto, este amor proibido leva-os a seguir rumos diferentes: Ralph é promovido a bispo e Maggie casa-se com um outro homem e tem dois filhos, Justine e Dane, que retratam a terceira geração desta saga.

Este romance passa-se no século XX, onde as personagens vivenciam alguns marcos históricos, como a grande Depressão de 1929 e a 2ª Guerra Mundial que também afectaram a Austrália. Ao longo da leitura podemos ver também uma forte crítica ao Celibato e à igreja Católica, bem como a desvalorização da mulher ao longo das duas primeiras gerações.

Pássaros Feridos é um romance bastante profundo, mostrando-nos através da família Cleary a vulnerabilidade humana no que diz respeito ao amor, ambição e egoísmo e como esta condição é transmitida ao longo das gerações sem que os filhos e netos consigam evitar e resolver os erros comuns dos seus progenitores.

 

É sem dúvida um romance que não podem deixar de ler.

Classificação: 5 - Adorei

sábado, 22 de janeiro de 2011

Zorro - O começo da Lenda

Autor: Isabel Allende
Editora: Círculo de Leitores
Nº Páginas: 479
ISBN: 9724234444
Categoria: Romance







O Zorro retrata a História de Diego de La Viega desde o seu nascimento até que se torna na personagem mítica do Zorro. Sendo a sua mãe uma guerreira indigena e seu pai um militar espanhol abastado, Diego cresce no meio dos rituais da tribo da sua avó, e paralelamente tem uma educação cristã e aprende esgrima com o pai.

Durante a sua infância na Califórnia, Diego testemunha os maus tratos aos indígenas pelos colonos e desenvolve sentimentos de revolta. Na adolescência é enviado para Espanha afim de receber uma educação europeia, onde é confrontado com a opressão do regime de Napoleão, começando a desenvolver sede justiça. Diego aprefeiçoa a sua técnica de esgrima tendo aulas com um professor célebre em Barcelona, sendo este a ponte de passagem para a sua integração num grupo clandestino, "La justicia" que protege os desfavorecidos. Desta forma, começa a dar vida ao lendário Zorro para combater a corrupção e ajudar os indefesos, vivendo algumas aventuras e peripécias na sua estadia em Barcelona e no caminho de regresso à Califórnia.

Mais um romance fantástico de Isabel Allende. É de facto uma das minhas escritoras preferidas. Gostei particularmente deste livro pois quando era criança adorava aventuras do Zorro. É pena que não haja uma continuação da hístória do Zorro na Califórnia pois daria também um romance interessante.

Classificação: 5 - Adorei


  

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

São Jorge dos Ihéus

Autor: Jorge Amado
Editora: Dom Quixote
nº Páginas: 423
ISBN: 9722027344 
Categoria: Romance







Sinopse:  É um livro que trás um painel junto com TERRAS DO SEM FIM das lutas e conquista da terra e pelo crescimento do País, no sul da Bahia região das fazendas cacauerias. O autor reproduz nesse livro a realidade da vida numa fazenda de cacau, as disputas políticas, o regime de semi-escravidão, ou seja, a vida construida em torno das "árvores dos frutos de ouro". O livro trata da luta entre os coronéis que conquistaram a terra, para nela cultivar o cacau, e toda movimentação comercial e de riqueza que a exportação deste produto gerou para esta região do País. Aparece a batalha pela posse ta terra e do poder, o drama da agricultura cacaueira, a passagem das terras para as mãos dos exportadores. O livro se inicia com a chegada de Carlos Zude a Ilhéus e com reminiscência deste com coisas do passado e o reencontro moderno com está terra tão especial. O Romance com Julieta e a prosperidade desta região com a riqueza do cacau. O drama dos trabalhadores rurais. O risco de vida pelo trabalho duro e perigoso.

Opinião:  Iniciei a leitura deste livro com muitas expectativas por ter sido aconselhado por um amigo com bom gosto literário e realmente não me decepcionei.  São Jorge dos Ilhéus, apesar de ser um livro ficcional,  é um retrato bem real e actual dos problemas políticos e sociais dos dias de hoje: a escravidão/exploração dos trabalhadores, o autoritarismo, a ganância do poder, o consumismo e a perda de valores morais e sociais.

É um romance com uma estrutura pensada e organizada, onde são expostos os pontos de vista de todos os grupos sociais integrados, desde o pequeno trabalhador aos exploradores.

No meu ponto de vista, os dois pontos menos positivos são a própria linguagem, uma vez que nunca tinha lido antes um livro brasileiro e, inicialmente, a caracterização de muitas personagens, tendo-me perdido um pouco. No entanto achei a mensagem muito intensa e envolvente.

Classificação: 4 - Gostei Muito

Classificação: 4/5

Maratona Literária Livropólio

Como forma aumentar e diversificar as minhas leituras e de pegar tenho tentado participar em diferentes...