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terça-feira, 17 de abril de 2018

Um Estranho Amor

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"A minha mãe afogou‑se na noite de 23 de Maio, dia do meu aniversário, no braço de mar em frente da localidade que chamam Spacca‑vento, a poucos quilómetros de Minturno. Exactamente naquela zona, no fim dos anos 50, quando o meu pai ainda vivia connosco, alugáva‑mos no Verão um quarto numa casa rural e passávamos o mês de Julho a dormir os cinco dentro de escassos noventa metros quadrados." 

"Um estranho Amor", primeiro romance escrito por Elena Ferrante, é uma história contada na primeira pessoa de Délia, uma mulher de meia idade, que pretende descobrir se a morte da sua mãe Amália tinha sido um suicídio, um acidente ou um assassinato e o porquê das estranhas circunstâncias em que o seu corpo foi encontrado. Para isso retorna à cidade das suas origens, Nápoles, numa tentativa de reconstruir os últimos momentos de vida de Amália onde recorda alguns episódios da sua infância, repleta de intrigas familiares e de violência doméstica. A dada altura Délia apercebe-se que, embora a sua mãe estivesse muito presente, o relacionamento entre as duas tornou-se distante em alguma fase das suas vidas. Consequentemente, para encontrar as suas respostas, tenta colocar-se na pele dessa mãe desconhecida e, o que no inicio parecia apenas a busca das causas da morte de Amália, tornou-se numa reflexão sobre a sua própria identidade e o peso que o seu passado e as vivências com sua mãe tiveram na pessoa que Délia é hoje.

Foi o primeiro que li da autora e gostei muito da sua escrita e da forma como constrói o enredo. Nesta pequeno romance a autora aborda assuntos atuais e muito presentes não só em Nápoles, mas também em muitos outros lugares em todo o mundo como: a violência doméstica, o amor obsessivo, o machismo e a desvalorização dos sentimentos e da importância do papel da mulher no seio familiar. Mas o que o torna realmente especial é a intensidade da sua escrita e a profundidade que dá às suas reflexões sobre as relações humanas. Posso dizer que logo após terminar o livro não o adorei, talvez por estar com uma expectativa diferente sobre a autora ou por falar sobre assuntos que, como mulher e mãe me incomodam muito. No entanto, escrever esta opinião obrigou-me a explorar mais sobre esta obra e deixou-me perceber a sua genialidade.

Estou bastante curiosa por ler mais livros desta escritora.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Capitães da Areia



Sinopse:
Capitães da Areia é o livro de Jorge Amado mais vendido no mundo inteiro.
Publicado em 1937, teve a sua primeira edição apreendida e queimada em praça pública pelas autoridades do Estado Novo. Em 1944 conheceu nova edição e desde então sucederam-se as edições nacionais e estrangeiras, e as adaptações para a rádio, televisão e cinema.
Jorge Amado descreve, em páginas carregadas de grande beleza, dramatismo e lirismo poucas vezes igualados na literatura universal, a vida dos meninos abandonados nas ruas de São Salvador da Bahia
.
Opinião:
"Porque o que faz a criança é o ambiente de casa, pai, mãe, nenhuma responsabilidade. Nunca eles tiveram pai e mãe na vida da rua. E tiveram sempre que cuidar de si mesmos, foram sempre os responsáveis pos si. Tinham sido sempre iguais a homens." E estas palavras de Jorge Amado não são mais que a descrição de um grupo de crianças que vive na rua, sem um tecto para dormir, sem uma família que lhes dê amor e orientação para a vida e ignoradas e discriminadas pela sociedade. Este grupo de crianças que neste romance são conhecidas como os capitães da areia, sobrevivem um dia de cada vez arranjando o que comer e vestir através da única via que sabem, furtando e roubando. Jorge Amado não esconde neste livro a sua posição comunista, e mostra que a marginalização destas crianças são fruto de uma sociedade capitalista, não sendo dadas oportunidades aos pobres e desfavorecidos para que possam melhorar as suas condições de vida. Para estas crianças orfãs o futuro que lhes espera são os orfanatos/reformatórios onde são vítimas de maus tratos ou viver na rua em grupos sendo que em adultos a grande maioria torna-se marginais ou, para algumas pequenas excepções, conseguem dar a volta e terem uma vida decente, ou porque tiveram sorte na vida ou porque tem alguma aptidão especial.
Sabia do que se tratava a história no entanto foi um livro que me chocou em algumas ocasiões pela dureza das descrições do autor. Não me admira que na altura em que foi editado a sua publicação tenha sido apreendida pelo dramatismo e intensidade da história, que poderia ser a de qualquer menino de rua da Bahia. No entanto tem momentos bastante tocantes, sobretudo quando se vê o companheirismo e lealdade existente entre os meninos. Uma leitura que aconselho para quem gosta de uma história mais realista, dura e marcante!


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Amor nos Tempos de Cólera


Sinopse:

O Amor nos Tempos de Cólera constitui na obra de Gabriel García Márquez um marco equiparável ao do célebre Cem Anos de Solidão, considerado até hoje, a sua obra-prima.

«O Amor nos Tempos de Cólera é um romance (...) onde se fundem o fulgor imagístico, o difícil triunfo do amor, as aventuras e desventuras da própria felicidade humana (...) Ao longo dum flash-back de quatrocentas páginas vertiginosas, compostas numa espécie de pauta estilística e musical, da qual não estão sequer ausentes o humor, a poesia e a
vertigem das imagens (...) o leitor recupera o ritmo encantatório duma escrita que não tem conhecido imitadores à altura.»


Opinião (Atenção, pode conter spoilets):

    O Amor em Tempos de Cólera conta-nos a história de Florentino Ariza e Fermina Daza que se apaixonaram quando jovens e que foram impedidos de casar pelo pai de Fermina por considerar que a sua filha merecia um melhor partido uma vez que Florentino Ariza não possuir fortuna e ser filho de pai icógnito. Entretanto, após três anos de troca de cartas carregadas de paixão, Fermina Daza perde o encantamento pelo o jovem Florentino Ariza e acaba por se casar com um jovem médico rico e oriundo de boas famílias, o Dr Juvenal Urbino. Florentino Ariza não se conforma com a perda do seu amor eterno e promete a si mesmo criar a sua própria riqueza para dar a Fermina Daza todo o conforto e esperar por ela solteiro até que fique viúva. No entanto, muitos anos se passaram até que o Dr. Juvenal Urbino fosse enterrado.
   O que dizer acerca deste livro? Adoro a forma como Gabriel García Márquez escreve mas a verdade é que as suas histórias não me enchem as medidas. O mesmo tinha acontecido quando li os "Cem Anos de Solidão". Apesar das ideias poéticas e do livro ser um hino ao amor, ao fim desta leitura senti um vazio. Florentino de Ariza ao longo da sua vida acabou por manter relações clandestinas cujas mulheres alegou amá-las todas, cada uma à sua maneira. No entanto, decidiu esperar anos e anos por alguém que o rejeitou em tempos e apenas na sua velhice acabou por vivenciar a sua grande história de Amor. Percebo a ideia que o autor pretende transmitir, que não existe idade para duas pessoas se amarem. Mas para mim, alguém não deveria esperar tanto tempo para amar. E Florentino chegou a ter essas dúvidas: e se ele próprio ou se a Ferminina Daza morrer antes do dr. Urbino? Poderia ser um fim bastante palusível. Uma vez que se trata de uma ficção o autor decidiu que o amor acabaria por vencer.
   Gabriel Garcia Márquez mostra-nos também outras vertentes do Amor: o amor fraternal existente num casamento, o amor adúltero, o amor carnal, o amor platónico e o mais presente em todo o livro o amor como uma doença, com sintomas iguais ao da cólera.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Estrela Errante


Autor: Jean-Marie Gustave Le Clézio
Editora: Dom Quixote
Nº Páginas: 290
ISBN: 9789722037129
Categoria: Romance Histórico






Sinopse: Esther descobre o que pode significar ser judia em tempo de guerra: após uma adolescência serena, vai conhecer o medo, a humilhação, a fuga pelas montanhas e a morte do pai.

Terminada a guerra, Esther parte para o jovem estado de Israel. Mas a Terra Prometida não lhe vai proporcionar a paz: à chegada terá um encontro com Nejma, que deixa o seu país com as colunas de palestinianos rumo aos campos de refugiados.

Esther e Nejma, a judia e a palestiniana, nunca mais deixarão de pensar uma na outra.

Estrela Errante é a descrição de uma viagem rumo à consciência de si mesmo.
Um romance onde Le Clézio glorifica as mulheres e denuncia o absurdo da guerra.

Opinião:  Uma história tocante, onde Le Clézio dá voz a duas religiões diferentes através de duas raparigas que foram vítimas de Guerra: Esther, uma rapariga judia que vivenciou a segunda guerra mundial e o período pós-Guerra, e Nejma, uma palestiniana enviada para um campo de refugiados. Duas forças da natureza que se encontram apenas durante uns segundos, mas que têm muito em comum. Neste livro, o autor mostra a força das mulheres e as cicatrizes que a guerra deixa mesmo alguns anos após esta terminar.

Classificação: 4 - Gostei Muito

São Jorge dos Ihéus

Autor: Jorge Amado
Editora: Dom Quixote
nº Páginas: 423
ISBN: 9722027344 
Categoria: Romance







Sinopse:  É um livro que trás um painel junto com TERRAS DO SEM FIM das lutas e conquista da terra e pelo crescimento do País, no sul da Bahia região das fazendas cacauerias. O autor reproduz nesse livro a realidade da vida numa fazenda de cacau, as disputas políticas, o regime de semi-escravidão, ou seja, a vida construida em torno das "árvores dos frutos de ouro". O livro trata da luta entre os coronéis que conquistaram a terra, para nela cultivar o cacau, e toda movimentação comercial e de riqueza que a exportação deste produto gerou para esta região do País. Aparece a batalha pela posse ta terra e do poder, o drama da agricultura cacaueira, a passagem das terras para as mãos dos exportadores. O livro se inicia com a chegada de Carlos Zude a Ilhéus e com reminiscência deste com coisas do passado e o reencontro moderno com está terra tão especial. O Romance com Julieta e a prosperidade desta região com a riqueza do cacau. O drama dos trabalhadores rurais. O risco de vida pelo trabalho duro e perigoso.

Opinião:  Iniciei a leitura deste livro com muitas expectativas por ter sido aconselhado por um amigo com bom gosto literário e realmente não me decepcionei.  São Jorge dos Ilhéus, apesar de ser um livro ficcional,  é um retrato bem real e actual dos problemas políticos e sociais dos dias de hoje: a escravidão/exploração dos trabalhadores, o autoritarismo, a ganância do poder, o consumismo e a perda de valores morais e sociais.

É um romance com uma estrutura pensada e organizada, onde são expostos os pontos de vista de todos os grupos sociais integrados, desde o pequeno trabalhador aos exploradores.

No meu ponto de vista, os dois pontos menos positivos são a própria linguagem, uma vez que nunca tinha lido antes um livro brasileiro e, inicialmente, a caracterização de muitas personagens, tendo-me perdido um pouco. No entanto achei a mensagem muito intensa e envolvente.

Classificação: 4 - Gostei Muito

Classificação: 4/5

Maratona Literária Livropólio

Como forma aumentar e diversificar as minhas leituras e de pegar tenho tentado participar em diferentes...