Uma Máquina de escrever arruinou o meu destino. Foi uma Hispano-Olivetti, da qual me separou durante semanas o vidro de uma montra. Visto de hoje, a partir do parapeito dos anos passados, custa a crer que um simples objeto mecânico pudesse ter potencial suficiente para quebrar o rumo de uma vida e fazer explodir em quatro dias todos os planos traçados para a sustentar. Assim foi, no entanto, e nada pudesse fazer para o impedir.
E assim começa este romance histórico que é o Tempo entre costuras, narrado por Sira, a personagem principal que nasceu e cresceu em Madrid, onde também aprendeu o ofício da sua mãe, a costura. Alguns acontecimentos na vida de Sira, juntamente com o despoletar da guerra civil faz com que ela viaje até Marrocos com o seu namorado sendo aí abandonada sem dinheiro e com dívidas para liquidar. Mas, perante as adversidades Sira consegue dar a volta e refaz a sua vida e acaba por criar alguns fortes laços de amizade que mais tarde levam a novas mudanças.
Gostei muito deste livro, Maria Dueñas criou personagens fictícias cativantes conseguiu enquadra-las com perfeição nos diferentes contextos históricos e relacioná-las com personalidades que existiram na vida real, sem nunca quebrar o desenrolar do romance. A escritora relata alguns acontecimentos importantes na História de Espanha como pormenores sobre a aquisição de Marrocos como colónia espanhola, a guerra civil de Espanha, o início da segunda guerra mundial, a importância dos Ingleses para que Espanha se mantivesse neutra na guerra e o papel mulheres na guerra que, embora fora dos campos de batalhas, tiveram um desempenho bastante ativo. Apesar de conter mais 600 páginas é um livro que se lê com bastante fluidez não só pelas descrições de Dueñas que nos permite idealizar muito bem todo o cenário onde decorre a história mas também por conter toques de espionagem, fazendo com que o leitor queira saber como tudo vai acabar.
Vi também a série da netflix que gostei muito, embora tenham sido feitas algumas alterações e tendo sido introduzidos acontecimentos que não vêm no livro, talvez com o intuito de criar um enredo mais empolgante e misterioso. Gostei muito de ver as cidades de Madrid e Tetuán e fiquei particularmente emocionada em ver a nossa Lisboa na década de 40 bem como os autores portugueses, em particular o autor Filipe Duarte que infelizmente morreu em Abril deste ano.
Este livro foi lido para o projeto Escapadela Literária do blog Manta de Histórias e para o Livroflix do Blog de a mulher que ama livros.
Aconselho o livro e a série sem reservas!

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