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Mensagens

Misericórdia

          Peguei neste livro com grandes expectativas dada a quantidade de opiniões positivas por parte de algumas pessoas que sigo nas redes sociais e, de facto, fiquei rendida. É sem dúvida uma obra singular não fosse ela escrita a pedido da mãe de uma enorme escritora, Lídia Jorge, quando esta se encontrava internada numa instituição para idosos.     Acompanhamos aqui os relatos sob a forma de diário do último ano de vida de Maria Alberta que se encontra num lar de idosos, o Hotel Paraíso. Através dela ganhamos uma perspectiva das realidades dos lares e do que se lá passou quando surgiu a pandemia. Foi muito interessante acompanhar as relações que a personagem estabelecia com algumas das pessoas que lá trabalhavam, com os outros residentes e com a sua única filha.       Um livro muito bem escrito, que nos sensibiliza à medida que temos contacto com as reflexões da Maria Alberta sobre a velhice, a fragilidade humana e a inevi...

A Filha Única

          Laura, apesar de ter nascido no México, um país bastante patriarcal, é uma mulher moderna, independente e com ideias muito próprias. Sente a pressão por parte da sua mãe de levar uma vida comum, constituir família, ter filhos. Mas Laura considera a maternidade um peso, para ela  "um filho, por muito terno e doce que fosse nos momentos bons, representaria sempre um limite à sua liberdade, um peso económico, para não falar do desgaste físico e emocional que causam" e, por essa mesma razão, opta por não ser mãe. No entanto, acaba por viver a maternidade através da sua amiga Alina e da sua vizinha Doris: Alina, faz tratamentos de infertilidade e no último mês de gravidez passa por um conflito que mudara a sua vida radicalmente; Doris é mãe solteira de um menino com problemas de comportamento.     A Filha Única, apesar de ser um livro pequeno e se centrar muito sobre a temática da maternidade e das diferentes formas como a vemos e viven...

A Breve Vida das Flores, Valérie Perrin

  " Chamo-me Violette Toussaint. Era guarda de passagem de nível, agora sou guarda de cemitério.    E assim começa a história da Violette, que foi, desde o seu nascimento, uma vítima de muitas contrariedades da vida. Sempre sobrevivendo ao seu malfadado destino, um acontecimento fez com que Violette perdesse o que tinha de mais precioso e entrasse num desgosto profundo. Mas, pessoas que entraram na sua vida, fizeram com que alguma luz fosse entrando novamente no seu coração.      Comecei a ler este romance sem saber nada dele, apenas de que falava sobre o luto. A ignorância sobre o seu enredo tornou esta leitura muito especial pois não esperava uma profundidade tão grande de relações entre os personagens. Para além de nos mostrar diferentes formas de viver o luto, fala-nos ainda da força da amizade, do amor e da possibilidade de nos reabilitarmos quando nos encontramos rodeadas pelas pessoas certas. Violette é uma personagem marcante que vai ficar comigo d...

Viajar através dos livros - Brasil

 A última viagem de 2020 será o Brasil. Apesar de ser um país com a nossa língua materna confesso que li poucos autores brasileiros. Gosto bastante do Jorge Amado no entanto, uma vez que ando numa fase em que estou a dar preferência aos clássicos decidi optarr pelo Machado de Assis, autor que li pela primeira vez este ano e gostei bastante. Visto que ultimamente vi excelentes opiniões acerca de Memórias Póstumas de Brás Cubas, decidi ler esta obra para o mês de Dezembro. E vocês costumam ler autores brasileiros? O que sugerem?

Viajar através dos livros - Rússia

No mês de Novembro, o país de destino para o projeto viajar através dos livros vai ser a Rússia. É um país bastante conhecido na literatura por ter autores bastante emblemáticos como Tolstoi, Dostoievski, Turguêniev, Gorgol, Bulgácov e Tchekhov no entanto não tenho lido nada deste país nem de outros que constituem a Europa Oriental, falha esta que pretendo colmatar nos próximos tempos.  Decidi iniciar-me pelo Doutor Jivago de Boris Pasternak por ser um livro que fala sobre a história da Rússia na primeira parte do século XX. É um livro que decorre durante a guerra civil Russa pelo que vou também inseri-lo no projeto ler os clássicos  do blog da Bárbara que para este mês foi proposto ler um livro sobre uma guerra. Costumam ler literatura russa? Têm algum livro que tenham gostado particularmente? 

Os livros favoritos de cada país do Mundo

Um usuário do Reditt elaborou um mapa com os livros mais importantes ou famosos de cada país. A seleção feita é discutível no entanto achei-a interessante pois poderá ser uma boa fonte de títulos para o meu projeto de viajar através dos livros. Afeganistão — O menino de Cabul, Khaled Hosseini África do Sul — Desonra, J. M. Coetzee Albânia — O general do Exército Morto, Ismail Kadaré Argélia — O estrangeiro, Albert Camus Alemanha — Os Buddenbrook, Thomas Mann Angola — A Gloriosa Família, Pepetela Arábia Saudita — Cities of Salt, Abdelrahman Munif Argentina — Ficções, Jorge Luis Borges Arménia — The fool, Raffi Austrália — Cloudstreet, Tim Winton Áustria — O homem sem qualidades, Robert Musil Azerbaijão — Blue Angels, Chingiz Absullayev Bangladesh — Uma época de Ouro, Tamima Anham Bielorrúsia — Vozes de Tchernobyl: História de um desastre nuclear, Svetlana Alexievitch Bélgica — O desgosto da Bélgica, Hugo Claus Belize — Beka Lamb, Zee Edgell Butão — the Circle of Karma, Kungzand Chidden ...

Livros lidos - Colonialismo

O projeto volta ao mundo com a literatura, onde procuro ler um livro de cada país do mundo, leva-me por vezes a leituras temáticas. Nos últimos meses li, de forma não intencional, três livros que falam sobre o colonialismo. Este é sem dúvida um assunto que me desperta atenção porque penso que a maneira como este tema é abordado na escola é feito de modo a vangloriar os feitos dos Portugueses, deixando um pouco de lado a perspetiva do povo colonizado. O Primeiro que li foi o Luanda, Lisboa, Paraíso de Djamila Pereira de Almeida (2018) que, tal como o título indica, relata-nos as desventuras de Cartola e de seu filho Aquiles ao viajarem de Luanda a Lisboa durante a guerra civil de Angola num período pós-colonização. O objetivo desta viagem era a resolução do problema do calcanhar de Aquiles, deformado desde a nascença. No entanto, em vez de se depararem com a capital portuguesa sonhada por Cartola, pai e filho confrontam-se com a desilusão de uma vida difícil, sem dinheiro, sem saúde e ...